A Polícia Federal encerrou a primeira fase de seu inquérito sobre as irregularidades envolvendo o Banco Master, resultando no indiciamento de Daniel Vorcaro e de outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros ligados à alienação de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).
Alvos da investigação e movimentações bilionárias
Constam na lista de indiciados figuras como Paulo Henrique Costa, que atuava como presidente do BRB, e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Até o momento da publicação desta reportagem, as defesas dos citados ainda não haviam se pronunciado sobre o caso.
De acordo com o documento de 700 páginas enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), a corporação policial detalha que, no período entre julho de 2024 e outubro de 2025, a instituição financeira de Vorcaro repassou ao banco brasiliense cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos. Desse montante total, “ao menos R$ 12,2 bilhões correspondem a créditos comercializados sem a devida comprovação da sua existência”, segundo apontam os investigadores.
Esquema com créditos fictícios e controles fragilizados
As apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal, pelo Banco Central e pela própria PF revelaram que os papéis foram gerados artificialmente por meio de planilhas eletrônicas, convertidos em cédulas bancárias e posteriormente cadastrados na bolsa de valores. Esses ativos teriam sido utilizados para mascarar a saúde financeira do banco de Vorcaro, que repassou os papéis ao BRB em um cenário de escassez de liquidez.
O relatório aponta que a consultoria Tirreno — de onde os títulos originariamente vieram — funcionava sem estrutura física adequada, funcionários ou patrimônio relevante, tendo origem em uma empresa inativa. No âmbito do banco público, as aquisições passavam pelo crivo da diretoria colegiada em lotes fracionados de R$ 750 milhões.
O documento policial destaca ainda a responsabilidade dos dirigentes envolvidos:
“Sob a perspectiva jurídico-penal, os elementos são compatíveis, em tese, com participação em atos de gestão fraudulenta do BRB, na medida em que as sucessivas aprovações contribuíram para manter e ampliar operações bilionárias mediante postergação, flexibilização ou esvaziamento dos controles internos”, aponta o texto assinado por quatro delegados.
Pedidos de prorrogação e complexidade do caso
Diante da densidade de dados probatórios acumulados, a autoridade policial solicitou a extensão do prazo do inquérito por mais 60 dias para finalizar perícias e averiguações complementares.
Os investigadores justificam o pedido argumentando que “a apuração abrange acentuada quantidade de contratos celebrados, cédulas de créditos bancário emitidas, múltiplos agentes e sucessivas operações financeiras, societárias e negociais, além de volumoso conjunto de documentos, dados bancários, registros contábeis e elementos telemáticos”.