Um funcionário público municipal de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, foi demitido após viralizar um áudio com ameaças xenofóbicas contra moradores da Aldeia Sassoró. As declarações criminosas foram feitas logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no dia 25 de outubro de 2026.
Repercussão e medidas tomadas pela prefeitura
O caso veio à tona na terça-feira (27/10), quando lideranças da comunidade indígena denunciaram a circulação da gravação em um grupo de WhatsApp. Na mensagem, o trabalhador atacou a etnia local com ofensas graves e sugeriu um atentado contra o abastecimento de água da população.
Na gravação, o funcionário disparou: “Essas pragas do caralho, do demônio. Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água”.
Posicionamento da gestão municipal
O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou o afastamento imediato e a posterior demissão do trabalhador, que exercia funções no setor de infraestrutura operando um caminhão-caçamba. A administração municipal também abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar formalmente o episódio.
Em pronunciamento oficial nas redes sociais, o chefe do executivo municipal declarou: “Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”.
Reação das lideranças indígenas e acionamento federal
O cacique Ivan Montiel, que também atua como vereador no município, repudiou veementemente a atitude criminosa e exigiu punição exemplar para o autor das ameaças contra a comunidade da Aldeia Sassoró.
“Eu gostaria de deixar aqui na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”, afirmou o líder indígena, reforçando ainda que a comunidade tem total liberdade democrática. “Nós temos o direito, como qualquer cidadão, de escolher em quem vamos votar”.
Diante da gravidade do ocorrido e de outros episódios de hostilidade registrados no estado sul-mato-grossense, o governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para conduzir as investigações. Organizações de representação indígena, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), também buscaram suporte junto ao Ministério dos Povos Indígenas para garantir a segurança das comunidades da região.