As feiras livres de Goiás registraram uma forte alta no preço do tomate, que já está sendo comercializado por até R$ 15 o quilo. A principal motivação para essa disparada é a intensa procura pelo produto goiano por parte de compradores de outras regiões do país, onde intempéries climáticas comprometeram as lavouras locais, reduzindo a oferta geral no mercado.
Impacto na Ceasa e nos mercados
No atacado, a situação se reflete nos valores das caixas. Na Ceasa de Anápolis, a caixa de 22 quilos do tomate longa vida atingiu R$ 200, enquanto a variedade saladete alcançou R$ 250. Em Goiânia, as cotações do final de outubro apontavam patamares semelhantes para os produtos de primeira classe. Com os custos elevados no atacado, os comerciantes enfrentam dificuldades para segurar os preços finais.
Um feirante que atua no setor há mais de duas décadas relatou que o valor da caixa sofre acréscimos constantes. “A cada dia está subindo R$ 20, R$ 30 na caixa do tomate”, relatou o comerciante, que ainda vende o quilo a R$ 7,50 em uma modalidade específica, mas avisa que o reajuste generalizado será inevitável caso a tendência persista.
Fuga de produção para outros estados
Um produtor com mais de 40 anos de experiência e proprietário de um box na Ceasa de Anápolis detalhou que grande parte da safra goiana tem sido despachada para estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Eles estão toda semana carregando muitos caminhões aqui em Goiás e, devido a isso, o preço sobe”, explicou o produtor.
Do lado do consumidor, o impacto no orçamento é imediato. Uma frequentadora habitual das feiras locais lamentou o encarecimento contínuo dos gêneros alimentícios e afirmou que precisará diminuir o consumo. “Um absurdo, né? Porque cada dia que passa as coisas estão mais caras”, afirmou à emissora.
Inflação oficial e perspectivas
Os dados oficiais confirmam a pressão sobre o bolso da população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o tomate subiu 32,59% em Goiânia na prévia da inflação de outubro pelo IPCA-15, superando a média nacional. No acumulado entre janeiro e outubro, a alta na capital goiana já atinge 93,61%.
Diante do cenário, a expectativa de comerciantes locais é de que os valores permaneçam elevados até o encerramento do ano, dependendo diretamente do comportamento do clima e do volume da oferta. Para driblar a alta, consumidores buscam alternativas como adquirir porções menores e substituir o fruto por outros legumes e verduras mais acessíveis.