Ufg lança inteligência artificial gratuita para empresas brasileiras

Empresas brasileiras ganharam uma nova opção tecnológica com o lançamento de uma ferramenta de inteligência artificial voltada especificamente para o contexto nacional e a língua portuguesa. A novidade foi apresentada pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás durante um evento voltado ao setor realizado em São Paulo.

Estrutura acessível e código aberto

Com quatro bilhões de parâmetros, o sistema foi projetado para rodar em hardwares mais acessíveis, diminuindo barreiras financeiras e a necessidade de investimentos robustos em infraestrutura. Ao contrário de plataformas como o ChatGPT, o modelo funciona como uma base tecnológica que pode ser baixada, permitindo que corporações incorporem seus próprios dados e treinem aplicações de forma autônoma.

O diretor de Inovação Aberta do centro acadêmico, Arlindo Galvão, destaca que a dependência de plataformas estrangeiras e os custos em dólar limitam o acesso de grande parte do setor produtivo.

“Ele é um modelo que você pode baixar e configurar para a sua empresa, personalizar com os seus dados e continuar o treinamento para utilizá-lo gratuitamente dentro do negócio”, explica Galvão.

Treinamento avançado em português

O desenvolvimento da tecnologia baseou-se em mais de 100 bilhões de tokens em português, o que garante maior precisão na compreensão de expressões locais e particularidades idiomáticas. Essa preparação aprimora o desempenho em tarefas técnicas e especializadas, superando limitações comuns em sistemas genéricos de inteligência artificial.

“Quando você utiliza um modelo de propósito geral, ele não necessariamente tem todo o acervo linguístico que um modelo treinado com dados em português brasileiro pode ter”, afirma o pesquisador.

Aplicações práticas e novos projetos

A tecnologia já passou por validações em setores como educação e energia, a exemplo de um projeto desenvolvido junto à Companhia Energética de Minas Gerais. A expectativa é atender negócios do agronegócio, saúde, indústria e serviços financeiros, permitindo inclusive que o processamento ocorra localmente para preservar dados sensíveis.

A diretora do centro, Telma Soares, pontua que a iniciativa aproxima a investigação científica das demandas mercadológicas reais, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional. O acesso ao projeto ocorre por meio da plataforma Hugging Face, enquanto materiais de suporte foram disponibilizados no GitHub.

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