A Câmara Municipal de Goiânia deu um passo importante nesta quinta-feira, 29, ao aprovar em primeira votação no Plenário um projeto de lei que cria a Comenda de Mérito Charlie Kirk. A proposta visa homenagear indivíduos e instituições que se destacam na defesa de pautas conservadoras, cristãs e da liberdade individual, permitindo a entrega de até 50 honrarias por solenidade.
Origem da proposta e defesa do autor
O texto foi apresentado pelo vereador Igor Franco (Podemos) e recebeu assinaturas de outros parlamentares. Na quarta-feira, 28, a matéria já havia passado pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) com aval favorável do vereador Léo José e voto contrariado da vereadora Kátia Maria (PT).
Fundador da Turning Point USA, Kirk teve papel de destaque na mobilização da extrema-direita nos Estados Unidos e na campanha presidencial de Donald Trump em 2024. Questionado sobre a escolha de uma figura estrangeira e sem ligação com a capital de Goiás, Igor Franco justificou a iniciativa com base na afinidade ideológica.
“Charlie Kirk foi um grande defensor da liberdade, da liberdade de expressão, dos valores cristãos, dos valores da família. Então, é uma pessoa que nos representa muito”, afirmou o parlamentar, destacando ainda a capacidade do ativista de dialogar com os jovens.
Sobre as críticas relacionadas a declarações polêmicas do norte-americano contra minorias, o autor da proposta declarou que “discorda” da interpretação. Vai na ótica de cada um, né? Você fala isso e eu discordo.” O vereador também pontuou que comendas legislativas funcionam como instrumentos de reconhecimento simbólico e não para resolver problemas estruturais da cidade.
“Comenda nenhuma é criada para resolver problemas da cidade, é um instrumento para poder homenagear pessoas, como a comenda que homenageia conselheiro tutelar, advogado, médico, assistente social”, disse, acrescentando que a honraria é destinada a “pastores, instituições, personalidades e pessoas que representam o movimento da direita.”
Cont controvérsias e histórico do ativista
A trajetória de Kirk nos Estados Unidos inclui episódios e declarações que geraram forte rejeição de opositores. O ativista acumulou falas em que classificou pessoas trans como uma “abominação”, fez ataques a negros, apontou judeus ricos como fomentadores de hostilidade contra brancos e afirmou que o Islã seria incompatível com a civilização ocidental.
A Procuradoria da Câmara analisou o aspecto jurídico e tratou o homenageado como um ativista político de direita, sem encontrar impeditivos legais para a criação da comenda.
Críticas da oposição na Câmara
A ausência de conexão entre o ativista e a história goiana foi o principal argumento utilizado pelo vereador Fabrício Rosa (PT), presidente da Comissão de Cultura, para repudiar a proposta.
“Eu acho completamente descabido que a Câmara Municipal de Goiânia crie uma comenda para homenagear uma pessoa que não tem absolutamente nenhuma relação com a nossa cidade”, afirmou.
Além da falta de vínculo geográfico, o oposicionista destacou o perfil ideológico da homenagem. “Não é simplesmente uma pessoa conservadora. É uma pessoa que tem um histórico de falas racistas, homofóbicas, transfóbicas e que representa uma extrema-direita que combatemos”, pontuou, sugerindo que o Legislativo valorize personalidades locais com serviços prestados à comunidade.
Estrutura da nova honraria
Se a proposta for totalmente aprovada, a comenda passará a integrar o calendário oficial do Legislativo municipal. A medalha contará com a efígie do ativista e a inscrição “Comenda de Honra ao Mérito Charlie Kirk — Valores Conservadores e Liberdade”, sendo entregue anualmente após indicação parlamentar e aval do Plenário.