Halloween: lentes de contato coloridas exigem cuidados redobrados

Com a proximidade do Halloween, a busca por adereços para complementar fantasias, a exemplo de lentes coloridas e versões inspiradas em personagens, registra crescimento expressivo. Contudo, a utilização desses itens sem a devida cautela pode causar danos severos à visão e lesões oculares.

Riscos associados a produtos de baixa qualidade

O oftalmologista Antônio Sardinha ressalta que esses artigos não devem ser encarados como meros enfeites, pois entram em contato direto com a córnea. Mercadorias comercializadas sem rigor de controle podem conter pigmentos externos, bordas irregulares e baixa oxigenação, elevando a probabilidade de infecções.

“O resultado é uma córnea arranhada, sem oxigênio e mais vulnerável, o cenário ideal para a entrada de bactérias, fungos e até amebas. Muitas vezes o produto já vem contaminado da própria embalagem”, aponta o especialista.

Sinais de alerta e quando buscar ajuda

O médico orienta que o usuário deve monitorar de perto qualquer sinal de incômodo após a retirada do adereço. Enquanto irritações leves tendem a sumir em poucas horas, patologias como ceratite e úlcera de córnea apresentam agravamento progressivo.

“Uma irritação simples costuma melhorar em poucas horas depois que a lente é retirada, com sensação de areia ou leve vermelhidão que vai passando. Já a ceratite e a úlcera de córnea pioram com o tempo. Os sinais de alerta são dor que persiste ou aumenta mesmo sem a lente, sensibilidade intensa à luz, visão embaçada que não volta ao normal, vermelhidão forte, lacrimejamento excessivo, secreção amarelada ou esverdeada e, em casos, uma mancha esbranquiçada visível na parte colorida do olho. Diante de qualquer um desses sintomas, a pessoa deve retirar a lente, não colocá-la de volta e procurar um oftalmologista no mesmo dia”, destaca o especialista, que também desaconselha o uso de colírios sem prescrição médica, especialmente aqueles com corticoides.

Passos essenciais para uma utilização segura

Para quem deseja aderir à tendência sem colocar a saúde em risco, a recomendação inicial é realizar uma avaliação médica especializada, independentemente de precisar de correção visual.

“Para quem quer usar lentes coloridas ou de cosplay com segurança, o primeiro passo é uma consulta com o oftalmologista, mesmo para quem não tem grau. Na avaliação medimos a curvatura e o diâmetro da córnea, verificamos a qualidade da lágrima e descartamos condições que contraindicam o uso. A partir disso, é indicada a lente adequada, que deve ser comprada em ótica ou estabelecimento confiável e ter registro na Anvisa”, aponta.

Erros frequentes na manipulação

O oftalmologista Willian Breno aponta que práticas incorretas, como higienização deficiente, compartilhamento e permanência com o acessório durante o sono, estão entre as principais falhas cometidas pelos usuários.

“Os erros mais perigosos são compartilhar lentes com outras pessoas, dormir com lentes que não foram projetadas para tal, reutilizar lentes descartáveis, manipulá-las com as mãos sujas, e principalmente, e aqui é muito importante destacar, lavá-las com água ou produtos inadequados. A água pode conter microrganismos capazes de causar infecções graves. A maquiagem também merece atenção: o ideal é colocar as lentes antes de se maquiar e retirá-las antes de remover a maquiagem, evitando que partículas e resíduos contaminem a superfície ocular”, ressalta.

Cuidados com cosméticos em geral

Além das lentes, artigos de beleza como modeladores térmicos de cílios, sprays e colas também exigem atenção. Uma análise publicada pela American Academy of Ophthalmology revelou que cosméticos e itens de higiene pessoal provocaram mais de 42 mil atendimentos de emergência nos Estados Unidos entre 2005 e 2024.

Para evitar acidentes domésticos, o oftalmologista Antônio Sardinha reforça a necessidade de armazenamento adequado: “No dia a dia, a regra é tratar cosméticos como se trata medicamento e produto de limpeza. Eles devem ficar em armários altos ou fechados, fora do alcance e da vista das crianças, sempre nas embalagens originais e bem tampados. Nunca devem ser transferidos para frascos de outros produtos, e o ideal é não aplicar sprays, perfumes ou laquês com a criança por perto”.

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