Laudo sobre celular de Daniel Vorcaro pode gerar reviravolta jurídica para Alexandre de Moraes no STF

Um documento pericial contratado pelos advogados de Daniel Vorcaro, criador do Banco Master, tem potencial para criar uma alternativa jurídica favorável ao ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal. O relatório aponta questionamentos sobre a confiabilidade dos documentos retirados do telefone do ex-banqueiro. Caso a Justiça aponte problemas na integridade dos dados, as evidências derivadas desse material também poderão ser contestadas.

Impacto das mensagens e contratos sob escrutínio

A situação desperta interesse em Moraes porque a Polícia Federal encontrou pelo menos 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao magistrado. O intercâmbio de recados veio a público durante a investigação sobre os laços entre ambos. No mesmo período, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, possuía um contrato que chegava a R$ 131 milhões com o Banco Master, além de outro acordo de R$ 50 milhões voltado à utilização de aeronaves. O ministro André Mendonça, encarregado do caso Master na Corte Suprema, solicitou a instauração de um inquérito para apurar os fatos.

Análise pericial aponta divergências nos arquivos

A investigação técnica avaliou as informações repassadas pela corporação policial ao tribunal e aos defensores de Vorcaro. No entanto, os arquivos entregues não representam o conteúdo bruto extraído do dispositivo móvel, já que a polícia havia organizado e tratado os dados no formato UFDR. Essa divergência impede que os especialistas realizem um cotejo direto entre os registros fornecidos e a extração original do aparelho. Embora o documento não confirme adulterações, a hipótese não foi descartada, e a defesa pleiteia o acesso ao material bruto para aprofundar as verificações.

Dinâmica das conversas por imagens

O relatório técnico também detectou 94 arquivos de imagem no formato HEIC com datas de criação posteriores à apreensão do telefone. O achado assumiu importância porque, de acordo com as autoridades policiais, Vorcaro e Moraes se comunicavam por meio de figuras, e não com textos tradicionais no aplicativo de mensagens. O ex-banqueiro redigia o texto no bloco de notas do celular, tirava um print da tela e enviava como visualização única, enquanto as respostas do ministro seguiam a mesma dinâmica. O fundador do banco, contudo, guardou os registros no próprio equipamento, servindo de base para a reconstrução dos diálogos pela polícia.

Caso o Poder Judiciário valide a tese de que os arquivos foram modificados, a defesa poderá invalidar as provas e os elementos decorrentes delas, conforme prevê o Código de Processo Penal sobre a teoria dos frutos da árvore envenenada. Contudo, isso não assegura que a perícia já tenha provado alguma ilegalidade ou que o material será sumariamente anulado, cabendo aos tribunais avaliarem cada desdobramento.

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