Entre as narrativas fantasmagóricas mais populares de Goiânia, destaca-se a figura de uma moça vestida de branco que supostamente surgia durante a madrugada, provocando pânico em condutores e incidentes viários perto da extinta fábrica Leite Gogó, situada no Setor Fama. O suposto espírito pertencia a alguém que teria falecido nas imediações da via. O caso faz parte de um levantamento acadêmico realizado pelo pesquisador Luiz Felipe Pereira Nunes, vinculado à Universidade Estadual de Goiás.
Pesquisa acadêmica mapeia o folclore local
Intitulado Pelas ruas de Goiânia: evocando lendas urbanas como patrimônio imaterial (2000-2023), o trabalho foi divulgado em 2024 e catalogou 17 mitos urbanos espalhados pela capital. O dossiê abrange enredos situados em cemitérios, centros culturais, antigos complexos e prédios comerciais. Diferente de outras assombrações geralmente confinadas a recintos fechados, a personagem misteriosa circulava ao ar livre, nas proximidades do antigo estabelecimento industrial e do Cemitério Jardim das Palmeiras.
Variações da narrativa popular
Registros antigos dividem-se sobre a origem exata da aparição. Enquanto reportagens do passado mencionam que a figura apenas cruzava a pista para amedrontar quem passava de automóvel, o estudo da UEG traz um elemento distinto: a mulher tentava obter carona à margem da rodovia. Esse detalhe aproxima o causo do arquétipo folclórico conhecido como o fantasma caroneiro, embora não existam documentos oficiais ou testemunhas diretas que comprovem a veracidade dos episódios relatados na região.
Outros mistérios e o turismo sombrio
Além dos relatos de acidentes, questionários aplicados durante a investigação acadêmica também trouxeram menções a um suposto assassinato de um casal no mesmo endereço, demonstrando como diferentes vertentes de violência e tragédia convergiram para o mesmo ponto geográfico. Embora o crescimento urbano tenha dissipado os relatos ao longo das décadas, a figura permanece viva na memória coletiva e integra propostas de roteiros voltados ao turismo sombrio na cidade.
A figura da Dama de Branco não é exclusiva da cultura goianiense, figurando também em tradições catalogadas pelo folclorista Luís da Câmara Cascudo em diversas estradas do país. No entanto, a associação com o antigo marco industrial garante a preservação da memória urbana local, mantendo viva a dúvida sobre a verdadeira identidade por trás do mito noturno.