Rui Costa cobra responsabilidade do mercado após disparada do dólar

O senador eleito Rui Costa (PT-BA) criticou a volatilidade registrada no mercado financeiro internacional logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 25 de outubro. Durante sabatina ao portal Metrópoles nesta sexta-feira (30), o ex-ministro da Casa Civil argumentou que o setor financeiro “também precisa pensar no país”.

Reação histórica e disparada do dólar

No dia seguinte ao pleito (26), a economia brasileira sofreu forte impacto com a abertura dos mercados. A moeda norte-americana disparou e alcançou a marca de R$ 5,60, ao passo que a bolsa brasileira (B3) sofreu uma derrocada drástica, despencando 16,77% nas primeiras horas da manhã. Analistas apontam que o comportamento foi motivado pela frustração de investidores que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Essa reação negativa foi considerada a pior em resposta a um pleito presidencial desde o ano de 2002, quando o petista assumiu o poder pela primeira vez. Para o parlamentar baiano, a instabilidade provocada tem relação direta com uma “busca de ganhos extraordinários” por parte dos agentes econômicos.

Críticas à formação de preços e especulação

Durante a entrevista concedida aos jornalistas Milena Teixeira e Matheus Leitão, o político comparou a atuação do sistema financeiro com a execução de contratos públicos de infraestrutura, questionando o poder de influência sobre as expectativas econômicas.

“Eu acho que o Brasil tem que discutir o setor financeiro, aqueles que fazem formação de preço, formação de expectativas, eles precisam também pensar no país. Eu fico imaginando, se alguém que tem contrato, por exemplo, de pavimentação de uma rua ou de uma estrada, ele tivesse o poder de formar expectativa sobre o preço do asfalto que será pago pelo contrato no mês seguinte. Obviamente, ele aumentaria as expectativas de preço para que o governo, no mês seguinte, pagasse o asfalto mais caro que ele executará”, disse Rui Costa.

Apelo por união e foco no crescimento

O ex-ministro defendeu a necessidade de união entre os diferentes pilares produtivos da nação, citando desde a agricultura até a indústria e as finanças, para superar o momento de turbulência e garantir o desenvolvimento nacional.

“Então, acho que é preciso que todos tenham compreensão que o Brasil precisa se unir, os diversos setores econômicos, do financeiro ao agro, ao industrial, todo mundo precisa dar mãos ao país. Tem muito, na minha opinião, de especulação, de busca de ganhos extraordinários. Aqui também vai uma diferença entre quem aposta no Brasil, quem aposta nos brasileiros, e quem quer buscar ganhos extraordinários esporadicamente”, declarou o senador.

Por fim, o parlamentar minimizou a instabilidade inicial e projetou estabilidade para os dias seguintes, reforçando o compromisso do atual governo com os investimentos públicos. “Acho que houve um início de especulação na segunda e terça. As coisas vão se acomodando ao longo dos próximos dias. E mais do que nunca, o presidente Lula buscará seguir sua agenda de crescimento de investimentos. É isso que nós temos que fazer, apostar no Brasil, ser otimista. E todos que estão no mercado financeiro também eu acho que tem que dar a sua contribuição para o país”, concluiu.

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