Com a chegada do período chuvoso, a preocupação com a presença de escorpiões dentro das residências em Goiânia tem registrado um crescimento expressivo. As precipitações provocam o alagamento das redes de esgoto, habitat comum desses animais, forçando a migração em busca de abrigos secos como casas e apartamentos.
Estatísticas e adaptação urbana
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação indicam que Goiânia contabilizou 779 atendimentos por acidentes com escorpiões ao longo de 2026. No total, foram 1.963 ocorrências envolvendo animais peçonhentos na capital, superando a marca de 1.773 registrada durante todo o ano anterior, que havia contabilizado 824 casos de escorpiões.
O biólogo Daniel Graziani, da Gerência de Controle de Animais Sinantrópicos da Secretaria Municipal de Saúde, aponta que esses animais encontraram nas cidades condições ideais de sobrevivência, impulsionadas pela oferta de água, abrigo e pela presença de baratas, que representam sua principal fonte de alimento. Com as chuvas, desaloja os escorpiões e as baratas. E aí pode ser que eles migrem mais para o interior da residência, que é um local onde está seco, explicou o especialista.
Riscos da espécie amarela
Entre as variedades que mais preocupam está o escorpião-amarelo, associado a ocorrências graves que podem levar ao óbito. Sua proliferação é potencializada pela partenogênese, método reprodutivo em que as fêmeas geram até 20 filhotes sem necessidade de fecundação.
Como prevenir e evitar acidentes domésticos
Especialistas recomendam o bloqueio rigoroso de vias de acesso, como ralos de pias e chuveiros, além de caixas de esgoto. O uso de inseticidas comuns não é recomendado para o controle direto dos aracnídeos. Não tem nenhum veneno com comprovação para o controle do escorpião. A única coisa que a gente pode fazer é bloquear o acesso dele para o interior da residência, manter o ambiente limpo e controlar seu alimento, destacou Graziani.
Como os escorpiões possuem hábitos noturnos e buscam locais escuros durante o dia, é fundamental afastar móveis das paredes, manter roupas e calçados guardados e inspecionar vestimentas antes do uso. O emprego de lanternas com luz ultravioleta auxilia na localização dos animais, que brilham sob esse tipo de iluminação. Em caso de encontro, a recomendação é utilizar objetos de haste longa, como vassouras, evitando o contato manual.
Em caso de picada, a busca por atendimento médico deve ser imediata, especialmente para crianças menores de 10 anos e idosos acima de 65 anos. O Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad atua como referência na capital para a administração do soro antiescorpiônico e acompanhamento clínico adequado.