A campanha de imunização contra a dengue em Goiás enfrenta desafios expressivos na adesão do público-alvo, composto por crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Apesar de o estado contar com doses suficientes para atender toda essa faixa etária, os índices de retorno para a finalização do esquema vacinal acendem um alerta nas autoridades sanitárias locais.
Cenário da imunização e desafios de adesão
Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) revelam que apenas 54% dos jovens elegíveis tomaram a primeira aplicação. O cenário é ainda mais crítico no segundo passo do tratamento: somente 33% retornaram para receber a dose final. Até o momento, o território goiano contabilizou 172.041 casos suspeitos da doença em todas as idades, com 111.148 confirmações laboratoriais.
A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES, Flúvia Amorim, avaliou que o arrefecimento da circulação do vírus em períodos recentes reduziu a percepção de perigo entre as famílias. “2024 foi um ano que nós tivemos muita dengue, principalmente ali no começo do ano, foi quando a gente teve uma procura muito boa. E o número de casos foi diminuindo ao longo do tempo. 2025 foi um ano mais tranquilo. Então, às vezes, a baixa percepção de risco”, afirmou.
A gestora enfatizou que a queda nos registros não anula a ameaça imposta pelo vírus. “Mesmo quando temos menos casos, os casos continuam acontecendo e os óbitos e as internações também. Por isso é muito importante a vacinação, é a melhor forma de prevenção”, disse. Ela também pontuou que o imunizante é seguro e eficaz, tendo atingido 11 mil diagnósticos positivos somente no grupo de 10 a 14 anos.
Estratégias para ampliar o alcance nas cidades
Para tentar reverter o quadro de abstenção, a pasta estadual tem prestado suporte aos municípios, que respondem pela aplicação direta nas unidades de saúde. Entre as táticas discutidas estão a flexibilização dos horários de atendimento e a abertura dos postos durante os finais de semana.
“Temos trabalhado com os municípios para estender o horário de funcionamento dessas unidades, a possibilidade de abertura de unidades aos finais de semana, porque às vezes os pais trabalham durante a semana e não têm tempo para levar os seus filhos”, apontou Flúvia Amorim. Além disso, iniciativas de conscientização ocorrem dentro das instituições de ensino para esclarecer sobre a necessidade das duas aplicações, que possuem um intervalo de 90 dias.
“Sempre estar mobilizando dentro das escolas, explicando a importância dessa vacinação para que a gente tenha, pelo menos aqui no estado de Goiás, essa população de 10 a 14 anos totalmente protegida”, declarou a subsecretária, que fez um apelo direto aos responsáveis: “Nenhum pai com certeza quer ver seu filho doente. Por isso, procure um posto de vacinação, leve seu filho ou sua filha de 10 a 14 anos e proteja”.
Cuidados redobrados com a chegada das chuvas
Paralelamente à vacinação, a Secretaria de Saúde chama a atenção para o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti com a aproximação da estação chuvosa, o que tende a elevar a incidência de arboviroses como a dengue e a Chikungunya no estado.
A superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES, Cristina Laval, destacou que a maior parte dos focos do vetor está concentrada dentro dos domicílios. “Com a chegada das chuvas de forma mais consistente no nosso estado, é esperado que haja um aumento do número de casos tanto de dengue quanto Chikungunya, principalmente. Já que durante todo esse ano de 2026 a gente já viu um aumento consistente dessas duas arboviroses”, afirmou.
A recomendação técnica é realizar vistorias semanais nos lares para eliminar água parada, descartar corretamente o lixo doméstico, manter calhas limpas e vedar caixas d’água. “É muito importante que uma vez a cada cinco dias a gente faça um checklist na nossa residência, porque 80% dos criadouros estão dentro das residências, principalmente no lixo doméstico”, concluiu Cristina Laval.