Candidata à Prefeitura de Berlim teme apoiadores do Hamas no próprio partido

A corrida eleitoral na Alemanha foi sacudida por um escândalo envolvendo a candidata da esquerda à Prefeitura de Berlim, Elif Eralp. Mensagens internas revelaram que ela teme pela própria integridade física e pela de sua família devido à presença de simpatizantes do Hamas dentro da sua legenda, o Die Linke.

Vazamento e repercussão na imprensa

O caso veio à tona quando a revista alemã Der Spiegel publicou reportagem detalhando as contradições do partido. Durante a checagem de uma entrevista, a equipe de Eralp devolveu um documento com comentários internos que expuseram o receio da política em identificar publicamente indivíduos ligados ao extremismo. “Não posso colocar a mim mesma e minha família em perigo por causa da Der Spiegel”, escreveu a candidata, segundo a imprensa alemã. Em outra passagem, ela pontuou: “Não quero citar nomes específicos, meu marido, e eu também não. Ele tem medo dessas pessoas, e eu também”, citando nominalmente o ativista Ibrahim Ibrahim. “Eu nunca deveria ter dado esta entrevista à Spiegel”, concluiu desesperada.

O ativista no centro da polêmica

O personagem central da controvérsia é Ibrahim Ibrahim, ativista palestino de 69 anos apontado como apoiador da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), organização considerada terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos. O militante também integra o Comitê Nacional Palestino Unido (VPNK), entidade associada a simpatizantes do Hamas e da FPLP pelos serviços de inteligência de Berlim. Em 2025, Ibrahim teria exaltado Yahya Sinwar, um dos planejadores dos ataques de 7 de outubro de 2023 em Israel, classificando-o como herói e mártir. Apesar do histórico, o ativista foi visto em setembro em um evento eleitoral do Die Linke ao lado de dirigentes partidários.

Proteção policial e impacto nas negociações

Diante das ameaças e da convocação de protestos por grupos radicais, autoridades decidiram colocar Eralp sob escolta policial durante o congresso regional de seu partido. O episódio gerou forte instabilidade política em um momento em que a legenda negocia uma coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD) e os Verdes para governar a capital. Aliados em potencial já cobram esclarecimentos firmes contra o terrorismo e o antissemitismo, questionando a viabilidade de uma gestão liderada por uma figura que admite receio de grupos extremistas atuantes no próprio entorno político.

O paradoxo exposto pela crise coloca a esquerda radical alemã sob intensa pressão pública. Eralp, que precisará convencer o eleitorado e potenciais parceiros de sua capacidade de enfrentamento ao extremismo, viu suas preocupações de foro íntimo transformarem-se em um dos maiores obstáculos políticos de sua trajetória.

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