Inovação na indústria goiana: inteligência artificial e robótica

O avanço da tecnologia na fabricação redefine os processos produtivos em Goiás, integrando braços robóticos, sistemas conectados e inteligência artificial para otimizar desde o estoque até a expedição nas fábricas.

O papel da automação no chão de fábrica

Em Goiânia, o Instituto Senai de Tecnologia em Automação utiliza bancadas didáticas para validar etapas produtivas. O analista Victor Fideles Freitas demonstra o funcionamento de câmeras integradas a algoritmos que identificam cores de peças em tempo real. “Essa bancada didática serve para testar e validar o funcionamento de etapas de uma cadeia produtiva. Aqui, simulamos o estoque, a separação das peças, a montagem e a expedição”, aponta o analista.

Para Joel Mário de Souza, engenheiro eletricista e líder do instituto, a meta é converter demandas corporativas em melhorias práticas. “Nosso trabalho é transformar desafios industriais em soluções tecnológicas. Desenvolvemos projetos que permitem automatizar processos manuais ou semiautomáticos, aumentando a produtividade, a precisão, a segurança dos trabalhadores e a competitividade das indústrias goianas,” diz.

Desafios da transformação digital no Brasil

Dados recentes do IBGE mostram que o uso de inteligência artificial nas empresas nacionais saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. Apesar da expansão, o alto custo das ferramentas e a escassez de pessoal qualificado continuam travando a modernização do setor produtivo.

Mesmo diante desses obstáculos, parcerias locais buscam viabilizar inovações. Na fabricante ALFIG, voltada para o agronegócio, o desenvolvimento de um sistema automatizado de secagem de sementes conta com subvenção da Finep. A fundadora Lauriana Alves Figueiredo de Paula destaca a importância de eliminar etapas manuais críticas. “Então, assim, o tempo todo tinha que ter operador ali acompanhando o que estava acontecendo no processo. Então, a secagem é uma das etapas mais críticas de todo o processo de tratamento de semente,” pontua a empresária. Ela acrescenta que “A automação elimina essa vulnerabilidade. Ela garante que a secagem vai acontecer dentro de parâmetros de precisão, sem depender da checagem visual do operador o tempo todo. O operador pode ir lá, ele deve continuar olhando o processo, mas ele não tem aquela necessidade de verificar a minuto a minuto”.

Fomento e suporte às pequenas e médias empresas

Estruturas como o Conselho de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CDTI) da Fieg e o IEL auxiliam negócios locais a estruturar projetos e captar recursos. Luciano Lacerda, dirigente do conselho, reforça a importância desse suporte: “Por isso que a gente criou até estruturas dentro do IEL da Fatesg, do Senai Hub para apoiar essas pequenas e médias empresas a desenvolver esses projetos para fazer aplicação”. Sobre a captação, ele destaca que “Foram aprovados 27 projetos, sendo que desses 27 projetos 12 projetos são de Goiás. Desses 12 projetos aproximadamente cinco projetos foram realizados em parceria entre a indústria e o IEL,”.

No âmbito financeiro, Joel Mário reforça a relevância do fomento público: “Esse modelo de financiamento é fundamental para viabilizar projetos de inovação que exigem investimentos elevados e envolvem riscos tecnológicos,” avalia.

Qualificação e novos caminhos no empreendedorismo

A preparação de mão de obra qualificada é outro pilar essencial. Dário Queija de Siqueira, diretor da Faculdade Senai Ítalo Bologna, aponta que a instituição integra teoria e prática para atender às demandas corporativas. Histórias de sucesso como a de Ricardo Silva de Menezes, fundador da M6 Automação e ex-aluno do Senai, refletem o impacto dessa base técnica. “A minha formação no Senai foi indispensável, e com certeza abriu muitas portas, tanto pela instituição em si, quanto pelos professores e colegas”, conta Menezes, ressaltando que ferramentas como a IA otimizam rotinas internas “sem terceirizar a reponsabilidade”.

A incorporação de novas tecnologias exige, portanto, investimentos contínuos, superação de barreiras financeiras e capacitação de equipes para garantir eficiência duradoura no ecossistema industrial.

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