Morre aos 32 anos o sociólogo e ativista goiano Ian Caetano

O sociólogo, ativista e pesquisador goiano Ian Caetano de Oliveira morreu na madrugada desta sexta-feira, 30, aos 32 anos, em Goiânia. Ele estava internado havia alguns dias em uma unidade de saúde. A notícia provocou manifestações de pesar entre amigos, colegas de militância e integrantes da comunidade acadêmica, que lembraram sua atuação política, sua contribuição intelectual e o envolvimento com a cultura.

Trajetória marcada pelo ativismo e pela pesquisa

Com uma trajetória que começou ainda na adolescência, Ian tornou-se conhecido pela participação nas mobilizações populares de 2013 contra o aumento da tarifa do transporte coletivo na capital goiana. Ao longo dos anos, ampliou sua atuação para a pesquisa acadêmica, o jornalismo cultural, a literatura, a tradução e a produção editorial independente. Sua história reuniu diferentes formas de participação pública, sempre atravessadas pelo interesse pelas desigualdades sociais e pelos movimentos coletivos.

A Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (FCS/UFG), onde concluiu a licenciatura em Ciências Sociais, em 2015, publicou uma nota de pesar. A instituição destacou sua dedicação à vida universitária desde os primeiros anos da graduação e o envolvimento com a produção acadêmica e as causas sociais.

Protagonismo nos protestos de 2013 e produção científica

A trajetória pública de Ian ganhou projeção em 2013, quando, aos 17 anos, passou a integrar a coordenação da Frente de Luta do Transporte Público (FLTP), em Goiânia. O movimento organizou mobilizações contra o aumento da tarifa do transporte coletivo e reivindicava melhores condições de acesso à cidade. As manifestações realizadas na capital goiana antecederam a onda nacional de protestos que tomou as ruas de diversas cidades brasileiras em junho daquele ano.

Depois de concluir a graduação, Ian deu continuidade à formação no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ). Em 2018, obteve o título de mestre em Sociologia e ingressou no doutorado na mesma instituição, na área de Ciência Política, dedicando-se a temas relacionados aos movimentos sociais, à repressão e à produção de conhecimento.

Atuação na literatura, música e editoras independentes

Fora da universidade e da militância, Ian mantinha uma relação próxima com a literatura e as artes. No Diário da Manhã, publicou ensaios e críticas sobre literatura, cinema e política. A atuação editorial foi outra dimensão importante de sua vida. Ao lado de Heitor Vilela, participou da fundação da Escultura Produções Editoriais, iniciativa independente voltada à publicação de livros e à circulação de trabalhos intelectuais.

A produção cultural não se limitava aos livros. Ian também era músico e tocava violão, guitarra, contrabaixo, teclado e craviola, além de escrever poesias. Sua morte encerra uma trajetória iniciada muito cedo que deixou marcas profundas na ciência, na cultura e nos movimentos sociais brasileiros.

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