Jornal argentino revela bastidores da viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA

Uma reportagem publicada pelo jornal argentino Clarín trouxe novos detalhes sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos. De acordo com a publicação, a operação foi marcada por um planejamento complexo que incluiu o uso de comboios terrestres para despiste, apoio logístico internacional e a contratação de múltiplos jatos executivos como rotas de fuga.

Estratégia terrestre e troca de planos na rota

O deslocamento inicial a partir de Brasília foi realizado por via terrestre, utilizando uma frota de seis veículos para despistar qualquer tipo de monitoramento. Inicialmente, a equipe previa um voo fretado direto saindo da capital federal, mas a ideia foi abandonada após o proprietário da aeronave recusar o serviço devido às restrições de saída do país repercutidas pela imprensa. Por terra, o grupo percorreu cerca de 1,6 mil quilômetros até a região da fronteira.

A movimentação na fronteira e o suporte em solo

O ponto decisivo da operação aconteceu em Puerto Iguazú, na Argentina. Próximo à meia-noite, uma van branca com vidros escuros chegou ao aeroporto local, gerando a falsa impressão pública de que a família estaria a bordo. Enquanto isso, o verdadeiro embarque ocorreu de forma discreta. Conforme o jornal, a família havia acessado a pista por uma entrada secundária cerca de uma hora antes, com apoio coordenado por agentes norte-americanos.

Ação de agentes e decolagem para Miami

A publicação afirma que “enviados do exterior afastaram funcionários da Alfândega, da Imigração e agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária”. O grupo assumiu os trâmites de embarque no jato Gulfstream IV, com matrícula LV-JQW, que permaneceu em solo por 40 minutos antes de decolar rumo a Miami.

Esquema de aeronaves e apoio internacional

Para despistar o paradeiro exato, o planejamento contou com a locação de pelo menos três ou quatro jatos executivos de alto custo. As aeronaves foram mantidas de prontidão no Paraguai, pousaram na Província de Misiones ou sobrevoaram simultaneamente a região. Veículos de imprensa dos Estados Unidos noticiaram que a aeronave utilizada foi viabilizada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca.

A articulação também teria contado com o envolvimento do governo argentino. Segundo o Clarín, o presidente Javier Milei ordenou que seu principal assessor, Santiago Caputo, viajasse de forma confidencial para Misiones para garantir o suporte logístico. Em contrapartida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou a participação do governo norte-americano na logística da operação, afirmando que o presidente Donald Trump apenas autorizou uma permissão especial de permanência caso a família chegasse ao país.

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