O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio imediato de uma comitiva ministerial ao estado de Mato Grosso do Sul para averiguar denúncias graves de ameaças direcionadas a comunidades originárias locais.
Comitiva ministerial em solo sul-mato-grossense
A força-tarefa governamental é composta pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. A agenda oficial prevê visitas institucionais à aldeia Taquapiri, situada no município de Coronel Sapucaia, e à aldeia Sassoró, localizada em Tacuru.
Escalada de violência pós-eleitoral
A mobilização do governo federal ocorre em meio a um cenário de tensão acentuada e crescimento nos registros de violência contra os povos originários na região após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais. Como resposta inicial aos conflitos, a gestão federal estabeleceu uma força-tarefa, acionou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública e iniciou inquéritos oficiais.
Investigação sobre áudios e ameaças
O epicentro das tensões concentra-se na Aldeia Sassoró, onde gravações em aplicativo de mensagens começaram a se espalhar logo após o pleito. Em um dos registros de voz investigados, atribuído a um servidor da prefeitura local, há menção explícita à contaminação de recursos hídricos.
“Cê tá doido, rapaz. [Nós – ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, diz a gravação.
O prefeito Rogério Torquetti confirmou o vínculo empregatício do autor da mensagem com a administração municipal, mas ponderou que o funcionário não atua no departamento de abastecimento de água e nem opera veículos oficiais de transporte de água potável, desmentindo boatos que circulavam nas redes sociais.
Dados divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil apontam que mais de 30 ocorrências de violência contra as comunidades do estado foram contabilizadas no contexto do processo eleitoral recente. O caso é acompanhado de perto pelo Ministério Público Federal, enquanto a Polícia Federal atua para apurar a autenticidade dos áudios, responsabilizar os envolvidos e coibir práticas criminosas.