Crise no agro: novo presidente da SGPA aponta juros altos e queda na soja

O produtor rural Tasso Jayme assumiu novamente a presidência da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) na última sexta-feira, 30. Ele comandará a entidade durante o biênio 2026/2028 e aproveitou a ocasião para externar forte apreensão com o momento adverso vivido pelo campo no Brasil, apontando o aumento nos pedidos de recuperação judicial nos últimos dois anos como reflexo direto dessa instabilidade.

Preços em baixa e custos elevados

Conforme o dirigente, a conjunção desfavorável entre a desvalorização das commodities, a inflação dos insumos e as taxas de juros elevadas tem sufocado a atividade no campo. O preço da saca de soja ilustra bem o problema: após bater cerca de R$ 180, a cotação despencou para R$ 105 e hoje oscila na faixa de R$ 120 a R$ 125. Enquanto culturas como milho e cana sofrem retração, a pecuária mantém um panorama ligeiramente mais estável.

Críticas ao crédito rural e atuação federal

As condições de financiamento também foram alvo de duras críticas por parte do presidente da SGPA, que classificou as taxas aplicadas no setor como abusivas. “As taxas de juros são impraticáveis”, afirmou o dirigente, pontuando que o custo efetivo das operações financeiras pode chegar a 20%. Além disso, ele apontou um abismo entre o volume de recursos anunciado nos planos oficiais de crédito e o dinheiro que de fato chega aos produtores nas agências bancárias.

Segurança e expectativas políticas em Goiás

No âmbito estadual, Tasso elogiou os avanços na segurança pública sob a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), destacando a queda expressiva em episódios de roubos, furtos e invasões de terras produtivas. O dirigente também abordou o Fundeinfra, cujos recursos foram destinados a melhorias na malha rodoviária do estado, apesar das reclamações iniciais do setor produtivo em relação à cobrança da taxa.

Para o futuro político goiano, a expectativa depositada em Daniel Vilela (MDB) é de manutenção do canal de diálogo com o agronegócio e continuidade das políticas bem-sucedidas. Defendendo a união institucional acima de divergências partidárias, Tasso cobrou cooperação estreita entre União e estados. “O presidente eleito tem um compromisso com a população e os governadores de todos os estados, sem distinção, têm direito a parcerias e à proteção do Governo Federal”, declarou o presidente da SGPA.

Apesar do cenário desafiador e dos obstáculos financeiros impostos ao setor, o líder rural garantiu que a classe seguirá firme em suas atividades produtivas. “O produtor rural não entrega os pontos. Ele produz com ajuda ou sem ajuda do governo”, concluiu Tasso Jayme.

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