Um grupo de 80 combatentes vestidos com armaduras de aço transformou a atmosfera de um parque em Pequim durante um sábado que costumava ser tranquilo. O barulho metálico de espadas, machados e armas de haste colidindo contra escudos proporcionou um espetáculo digno de um verdadeiro campo de batalha da Idade Média.
Da rotina de escritório aos campos de batalha
Entre os participantes estava Guan Xiaoqi, conhecido pelo apelido de “Carteiro”. Ele trocou o expediente em um escritório para vestir uma armadura de aço de 30 quilos e se dedicar integralmente à modalidade de combate medieval de contato pleno.
Atualmente atuando como treinador de artes marciais, Guan trabalha ativamente para expandir a comunidade da modalidade no país asiático. A meta do instrutor é converter esse passatempo, historicamente limitado a um nicho, em uma prática esportiva de reconhecimento amplo.
“É um esporte capaz de despertar entusiasmo e paixão nos jovens”, afirmou ele, acrescentando que o número de participantes tem crescido de forma constante nos últimos anos.
Desafio físico e mental extremo
A modalidade exige alto desempenho atlético, testando tanto a força bruta quanto a resiliência psicológica dos competidores. Os atletas enfrentam combates intensos sob o peso de trajes metálicos até que os adversários sejam completamente derrubados.
“Estamos todos igualmente exaustos. Se você acha que é o mais cansado, provavelmente está apenas dando desculpas para si mesmo. Se os outros conseguem perseverar, eu também consigo”, disse o participante Zhang Chao, descrevendo a sensação de conquista que acompanha cada disputa.
Origens globais e expansão na Ásia
Batizado internacionalmente como “buhurt”, o esporte contemporâneo nasceu a partir de coletivos voltados à reconstituição histórica medieval no Leste Europeu, transformando-se posteriormente em um circuito mundial de torneios.
O esporte desembarcou em solo chinês há aproximadamente dez anos. Desde então, vem construindo uma base de fãs dedicada em grandes centros urbanos, a exemplo de Xangai e da capital Pequim.
Competição internacional em Pequim
O torneio recente, batizado de Copa Shanhe de Combate Blindado de Contato Pleno, contou com a presença de equipes estrangeiras. A ocasião proporcionou aos competidores locais uma chance incomum de enfrentar adversários mais cascudos e experientes vindos de nações como Itália, Rússia e França.
Apesar de pontuar as atuais desvantagens técnicas dos atletas do país frente aos estrangeiros, o treinador segue confiante quanto ao futuro da modalidade na região.
“Agora que identificamos onde deixamos a desejar, sabemos em que precisamos trabalhar para diminuir essa diferença”, concluiu.