Deputado aponta erro estratégico da direita nas eleições presidenciais

O deputado estadual Claudio Branchieri (PL-RS) afirmou que a direita brasileira perdeu as eleições presidenciais porque concentrou a campanha em indicadores econômicos e deixou de disputar espaços na cultura. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar disse que os conservadores deveriam investir em filmes, livros, universidades e formação de professores.

O foco excessivo na economia

De acordo com o deputado, apresentar dados sobre inflação, desemprego e endividamento não é suficiente para convencer eleitores que já possuem uma visão política consolidada. A declaração ocorreu ao citar a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Selma, que recebeu 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário.

“O erro fatal da direita foi focar apenas na economia”, declarou Branchieri. “Enquanto discutíamos PIB, juros e empregos, eles venciam esta guerra”, acrescentou, fazendo referência à esquerda.

A influência intelectual e a hegemonia

Para fundamentar sua análise, o parlamentar recorreu a teóricos como o italiano Antonio Gramsci e pensadores da Escola de Frankfurt, incluindo Max Horkheimer, Theodor Adorno e Herbert Marcuse. Na visão do deputado, a esquerda compreendeu antecipadamente a necessidade de conquistar a sociedade antes de atingir o poder político, moldando valores ligados à religião, à família e ao patriotismo.

“Quem domina a cultura, controla a narrativa”, ensinou. “Faz a ideologia virar senso comum.”

O parlamentar pontuou que a esquerda ampliou sua presença de forma sistemática em editoras, redações jornalísticas, universidades e produções cinematográficas, enquanto o campo conservador negligenciava esses setores. “Enquanto a direita fingia que isso não existia, a esquerda ocupava a universidade, formava professores, dominava as editoras, pautava os jornais, controlava até o critério do Oscar”, afirmou.

O caso do filme sobre Jair Bolsonaro

Como exemplo prático da necessidade de atuar na indústria audiovisual, Branchieri citou o longa-metragem Dark Horse, focado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção conta com direção de Cyrus Nowrasteh, protagonismo do ator norte-americano Jim Caviezel e foi idealizada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP).

“Se não contarmos a história de Bolsonaro, vai prevalecer a tese do genocida, do golpista”, pontuou o deputado estadual.

A iniciativa, contudo, enfrentou desdobramentos em setembro, quando a Polícia Federal realizou uma diligência para investigar suspeitas de irregularidades e desvio de emendas parlamentares ligadas ao projeto. Tanto Frias quanto a produtora figuraram entre os alvos da ação, embora o parlamentar federal tenha negado ilegalidades e defendido a destinação social dos recursos.

Nova rota para o campo conservador

Ao encerrar a gravação, amparando-se também em conceitos do escritor Olavo de Carvalho, o deputado reforçou que a disputa ideológica exige um reposicionamento duradouro que ultrapasse os limites dos períodos eleitorais e dos debates fiscais.

“A direita precisa entrar no jogo da cultura”, declarou. “Formar professores com coragem, produzir filmes, escrever livros que não sejam panfletos, ocupar a universidade, usar as redes sociais com inteligência.”

“A guerra nunca foi só política ou econômica”, salientou. “É uma disputa pela alma do povo, pelo domínio da narrativa.”

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