O forte engajamento digital da esquerda se consolidou como ferramenta estratégica permanente. Lideranças políticas, influenciadores e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmam que a mobilização intensa nas redes sociais vista na campanha do segundo turno veio para ficar no cenário político brasileiro.
O papel do “Exército do Lula” e a pressão sobre o congresso
Sob o comando de mensagens com termos como “urgente” e “explode” disparadas pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), a tropa digital reuniu mais de 10 milhões de pessoas no WhatsApp. Esse esforço foi apontado por Lula como fator essencial para a virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL). O petista venceu a disputa com 51,8% dos votos contra 48,2% do adversário, superando uma desvantagem do primeiro turno, quando ficara atrás com 45,2% dos votos frente a 47% do rival.
O sucesso da estratégia gerou repercussão internacional, resultando em convites para Janones atuar em campanhas progressistas no exterior, como na tentativa de reeleição do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. O parlamentar confirmou que a estrutura digital continuará ativa para pressionar o Legislativo e garantir apoio popular ao governo.
conforme declarou André Janones:
“O grande objetivo desse ‘Exército’, pós-eleição, é compensar a minoria que o presidente Lula vai ter na Câmara e no Senado, porque a extrema direita está com uma maioria esmagadora”
E completou sobre a finalidade da rede:
“O ‘Exército do Lula’ tem como missão, a partir de agora, dar governabilidade ao presidente”
Uso de smartphones e diálogo direto com a população
Após anos de resistência pessoal à tecnologia, Lula adotou o uso de smartphones na reta final da campanha por insistência de aliados. Com isso, o presidente prometeu estabelecer um canal de comunicação direto com os eleitores, sem intermediários ou interpretações jornalísticas.
durante seu discurso de vitória, Lula enfatizou a nova postura:
“Já estou aprendendo a conversar com o meu general e podem ficar certos que, daqui para frentte, vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalistas com má-fé. Não vou. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”
No mesmo discurso, o chefe do Executivo agradeceu o empenho do deputado, chamando-o de general e ressaltando que ele “teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa”.
Debate sobre algoritmos e o avanço da regulação das big techs
Outros nomes de forte presença digital, como os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG), Jones Manoel (PSOL-PE) e Guilherme Cortez (PSOL-SP), também destacaram a necessidade de manter a estrutura de mobilização ativa. Cortez, que possui mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, avalia que o campo progressista demorou a entender a dinâmica das redes, mas conseguiu reagir apesar de barreiras.
segundo apontou Guilherme Cortez:
“A direita chegou antes, se desenvolveu nesse terreno, beneficiada por uma série de coisas, inclusive pelo algoritmo das redes sociais”
O deputado acrescentou sobre o enfrentamento digital:
“Para ganhar eleição foi preciso que a gente tomasse ofensiva nesse terreno, e conseguimos, mesmo com todas as comprovadas tentativas de boicotar nossa campanha pelos aplicativos”
Diante desse cenário e de denúncias sobre tratamento desigual por parte de plataformas, parlamentares e integrantes do governo articulam votação urgente até dezembro para aprovar o projeto de lei da regulamentação concorrencial das big techs. A avaliação é de que a janela de oportunidade é favorável no atual momento, antes da posse do novo Congresso.
Propostas para o futuro das plataformas digitais
As discussões sobre o tema envolvem desde a obrigatoriedade de taxação de empresas bilionárias até a criação de mecanismos que permitam aos usuários “desligar” o algoritmo, optando por feeds baseados exclusivamente em cronologia e perfis seguidos. O próprio presidente reforçou que a pauta será prioridade absoluta.
conforme destacou o presidente da República:
“Essa eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime na vida real”
A ofensiva governamental retoma o debate iniciado na eleição de 2022, quando propostas semelhantes foram debatidas mas não avançaram integralmente durante o mandato.