Em 1818, a história de Goiás registrou um episódio digno de ficção: um governador sem conseguir andar foi transportado por pessoas escravizadas ao longo de aproximadamente 400 quilômetros até Caldas Novas, no sul do estado, em busca de uma cura milagrosa para uma doença reumática que travava seus movimentos.
A banheira de pedra e a suposta cura milagrosa
O então governante Fernando Delgado Leite de Castilho buscou as famosas fontes da região para aliviar suas dores. Conforme os registros da Câmara Municipal, ele foi recepcionado por Antônio Coelho de Siqueira, responsável por ordenar a construção de uma banheira de pedra exclusiva para o visitante ilustre.
A tradição oral aponta que Castilho teria recuperado os movimentos logo após os banhos de imersão, o que o levou a autorizar a divulgação das propriedades medicinais das águas termais. Embora não haja comprovação médica de que o alívio tenha decorrido exclusivamente do tratamento, o episódio consolidou a fama das fontes naturais goianas.
A origem do turismo nas fontes de águas quentes
Antes mesmo da visita do governante, a área já atraía curiosos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que Martinho Coelho de Siqueira achou as nascentes em 1777, fundando a Fazenda das Caldas, ponto de parada para garimpeiros e enfermos.
A evolução da estrutura de banhos em Goiás
No ano de 1910, o município inaugurou sua primeira casa de banhos, equipada com três entradas de água em temperaturas variadas. O prédio original foi demolido em 1935 para abrir espaço ao Balneário Municipal, cuja gestão passou para a Prefeitura em 1940.
Atualmente, o município abriga mais de 100 mil moradores, conforme projeção populacional para 2026 baseada no Censo de 2022 do IBGE. O que começou como uma jornada desesperada de um líder político em busca de saúde transformou-se em um polo nacional de turismo, estruturado com hotéis, clubes e complexos aquáticos modernos.