Um Honda NSX fabricado em 1991 e que integrou a frota de veículos utilizada por Ayrton Senna foi vendido por 871 mil libras, o equivalente a aproximadamente R$ 6,3 milhões. O pregão foi conduzido pela casa de leilões RM Sotheby’s na capital britânica, superando as estimativas iniciais para o lote identificado pelo chassi T000233, pintado na cor original Formula Red com teto preto e acabamento interno em couro escuro.
Desempenho mecânico e engenharia inovadora
O automóvel conta com o propulsor Honda C30A, um motor V6 aspirado de 3,0 litros posicionado transversalmente logo atrás dos assentos. Na configuração voltada para o mercado europeu, o conjunto gera 274 cv de potência e 29 kgfm de torque, acoplado a uma transmissão manual de cinco velocidades que direciona a força para o eixo traseiro. A velocidade máxima homologada para essa versão atinge 265 km/h, beneficiando-se da tecnologia VTEC de variação no comando de válvulas.
Além da performance, o modelo marcou época por sua construção pioneira. Tratou-se do primeiro carro fabricado em massa a adotar uma estrutura monocoque totalmente em alumínio, garantindo leveza e rigidez estrutural. No ano de lançamento, o peso em ordem de marcha ficava na casa dos 1.365 kg, projetado para rivalizar com marcas tradicionais como Ferrari e Porsche com foco na usabilidade diária.
Participação de Senna no projeto e histórico
O desenvolvimento do esportivo teve início em 1985 sob a supervisão do engenheiro Shigeru Uehara, buscando inspiração na cabine do caça F-16 para otimizar a visibilidade. Em 1989, o piloto brasileiro avaliou o protótipo no circuito de Suzuka, no Japão. Suas críticas sobre a necessidade de maior firmeza resultaram em um incremento de 50% na rigidez estrutural do monobloco e modificações na suspensão.
A produção em série começou em 1990 em Tochigi, com ritmo artesanal limitado a cerca de 25 unidades diárias. O chassi T000233 integrava um lote de três veículos cedidos ao atleta, sendo os outros dois na cor preta. Importado pela Honda Automobil de Portugal com a placa SX-25-59, o carro ficava baseado em Lisboa e era utilizado pelo tricampeão durante suas passagens pelo país europeu, incluindo deslocamentos para o circuito de Estoril na temporada de 1991.
Trajetória após o falecimento do piloto
Após a morte do ídolo em 1994, o exemplar permaneceu em território português sob a tutela de diferentes donos, passou por concessionárias locais e foi adquirido por um empresário do Algarve em 2009. Mais tarde, transferiu-se para o Reino Unido, participou de tributos na Itália e teve passagem recente por um colecionador japonês antes de retornar a Londres para o recente leilão.
Curiosamente, o modelo também comercializado sob a marca Acura em mercados como Estados Unidos e Hong Kong mantém especificações mecânicas equivalentes, consolidando o legado técnico da indústria japonesa da época.