O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a classificar o processo eleitoral brasileiro como “uma vergonha” durante conversas com jornalistas na Flórida.
Histórico de contestações e acusações
As declarações do republicano ocorreram no sábado (31.oct.2026), nos arredores de sua residência oficial em Mar-a-Lago, durante um evento de Halloween. O mandatário norte-americano já havia feito diversos questionamentos semelhantes nas semanas anteriores, sugerindo irregularidades na disputa que culminou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar de reiterar as críticas às votações no Brasil, o chefe da Casa Blanca tem evitado ataques nominais diretos ao petista. Em episódios passados, Trump chegou a afirmar: “Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada […]. Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”.
Repercussão internacional e o caso de Flávio Bolsonaro
O noticiário político internacional também ganhou tração com a ida do senador e candidato não eleito Flávio Bolsonaro (PL) para território norte-americano. Na ocasião, Trump aprovou a medida após o Departamento de Estado confirmar a liberação de vistos para o parlamentar e sua família. Questionado sobre um trecho em que o senador se autoproclamava presidente eleito — posteriormente retirado da carta oficial —, o presidente dos EUA foi categórico: “Não vou comentar isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver”.
Em 29 de outubro, Trump justificou sua neutralidade inicial no pleito brasileiro citando um pedido direto feito pelo líder brasileiro. “O presidente [Lula], o atual presidente, me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, ao observar o que aconteceu no Brasil… bem, basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, declarou.
Ausência de evidências nas declarações
Vale destacar que, em nenhuma das manifestações públicas em que o presidente dos Estados Unidos colocou em dúvida a lisura ou classificou o pleito como fraudulento, foram apresentadas quaisquer evidências que comprovassem tais acusações.
Conhecido por criticar frequentemente sistemas de votação em diferentes regiões — incluindo estados do próprio país —, Trump mantém ressalvas públicas em relação ao uso de urnas eletrônicas. Enquanto os Estados Unidos adotam majoritariamente o voto impresso em cédulas de papel, o Brasil utiliza exclusivamente o sistema eletrônico em todo o território nacional.