Superar o receio e o constrangimento para buscar orientação médica antes de notar qualquer alteração física é o principal apelo da campanha Novembro Azul. Conforme aponta o urologista Bernardo Barreira, que atua como diretor da Sociedade Brasileira de Urologia em Goiás (SBU-GO), o acesso à informação de qualidade e o acompanhamento profissional são indispensáveis para que o público masculino compreenda seus perigos e faça escolhas conscientes. “Quando falamos de câncer de próstata, informação de qualidade e diagnóstico oportuno podem mudar histórias e podem salvar vidas”, afirma.
O perigo da evolução sem sintomas
O grande obstáculo no combate à patologia é a ausência de manifestações clínicas nos estágios iniciais. De acordo com o médico, “O câncer de próstata nas fases iniciais geralmente não provoca sintomas. Por isso, esperar alguma alteração urinária para procurar o urologista pode significar perder a chance de identificar a doença numa fase mais inicial e mais favorável ao tratamento”, alerta Barreira.
Fatores de risco e grupos mais vulneráveis
A probabilidade de desenvolver a condição se eleva com o avanço da idade, sobretudo após os 50 anos. Homens com histórico familiar de pai ou irmão acometidos pela enfermidade necessitam de cautela redobrada, assim como a população negra e indivíduos que conviven com a obesidade, grupos que exibem maior propensão.
Durante a consulta com o especialista, são avaliados fatores de risco para definir a necessidade de exames preventivos. Entre as principais ferramentas diagnósticas estão o exame de sangue PSA, que quantifica o antígeno prostático específico, e a avaliação clínica, que pode englobar o toque retal.
A importância da avaliação completa
“A avaliação não se resume a um único exame. O exame de sangue do PSA nos ajuda bastante, mas o exame clínico da próstata também é uma ferramenta que ajuda muito o urologista a avaliar o risco e a necessidade de investigação complementar”, explica o médico.
Sinais como jato urinário enfraquecido, dificuldade para urinar e idas frequentes ao banheiro exigem checagem profissional. No entanto, tais indícios não apontam obrigatoriamente para um tumor maligno, podendo estar associados a distúrbios benignos.
Estilo de vida e tratamentos modernos
Ainda que adotar uma dieta balanceada, praticar exercícios e controlar o peso sejam atitudes cruciais para o bem-estar geral, tais ações não impedem o surgimento do tumor e tampouco substituem o acompanhamento clínico. “Infelizmente, não existe uma medida capaz de impedir os casos de câncer de próstata. É claro que manter hábitos saudáveis, fazer exercício físico e comer bem ajuda, mas não substitui a avaliação médica quando ela é indicada”, pontua o urologista.
Nos casos em que a doença é diagnosticada, a medicina moderna oferece diversas abordagens terapêuticas, incluindo a cirurgia robótica em situações selecionadas. A recomendação primordial para este Novembro Azul é que os homens abandonem a espera por sintomas e consultem um urologista para avaliar riscos e garantir um tratamento adequado.