Midterms nos eua: histórico mostra dificuldade para presidentes

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos costumam funcionar como um rigoroso termômetro da popularidade do governo vigente. Historicamente, é muito mais comum que o partido do presidente perca assentos no Congresso do que conquiste novas posições durante essas disputas.

Como funcionam as eleições legislativas

O pleito renova integralmente os 435 assentos da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das 100 cadeiras do Senado. Ambas as casas funcionam no Capitólio, localizado em Washington. Como os deputados cumprem mandatos de dois anos e os senadores permanecem seis anos no cargo, os dois sistemas apresentam dinâmicas eleitorais diferentes.

Para a gestão em exercício, uma eventual mudança no controle de qualquer uma das Casas legislativas pode dificultar a aprovação de propostas e ampliar a capacidade da oposição de conduzir investigações parlamentares.

O único caso de preservação total

Desde 1970, o governo do presidente Jimmy Carter, em 1978, foi o único cujo partido perdeu cadeiras nas duas Casas do Congresso, mas preservou a maioria em ambas. Naquela ocasião, os democratas perderam 15 assentos na Câmara dos Representantes e três no Senado.

Retrospecto dos governos anteriores

Perder cadeiras é uma tônica constante na política norte-americana. Uma situação inusitada ocorreu em 2010, quando Barack Obama perdeu 63 cadeiras na Câmara e seis no Senado, mas os democratas conservaram a maioria no Senado. De resto, todos os presidentes, nas eleições de meio de mandato, perderam as cadeiras e a maioria nas duas Casas, desde 1970, quando o republicano Richard Nixon perdeu 12 cadeiras na Câmara e ganhou duas no Senado.

Em 1974 Gerald Ford, republicano, teve revés de impacto, com a perda de 48 na Câmara e de cinco no Senado. Quatro anos depois, Carter, democrata perdeu 15 e três cadeiras, respectivamente, mas não a maioria. Já Ronald Reagan, em 1980, teve 26 cadeiras a menos na Câmara e uma a mais no Senado. Quatro anos depois, Reagan continuou perdendo nestas eleições de meio de mantado: cinco na Câmara e cinco no Senado.

Em 1990, no primeiro governo Bush, de George H. W. Bush, republicano, a perda foi de oito na Câmara e uma no Senado. Bill Clinton, em 1994, democrata, perdeu 54 cadeiras na Câmara e oito no Senado. Em 1998, Clinton ganhou quatro cadeiras na Câmara e não perdeu no Senado dos Estados Unidos.

Outro que ganhou cadeiras foi George W. Bush, republicano. Foram oito a mais na Câmara, em 2002, e duas a mais no Senado. Em 2006, a queda para Bush foi grande: menos 30 e menos seis. Queda esta que prosseguiu com Barack Obama e a perda de 63 deputados e de seis senadores em 2010. Em 2014, o democrata Obama também viu sua base diminuir: 13 e nove, respectivamente.

O próprio Donald Trump, em seu primeiro mandato, em 2018, quando tinha popularidade de 43%, perdeu na Câmara (41). Mas o republicano ganhou dois senadores. O democrata Joe Biden, que mantinha uma popularidade de 40% naquelas eleições de meio de mandato, teve perda de nove deputados, mas aumentou sua base em um senador.

As movimentações no Capitólio continuam redefinindo o equilíbrio de forças da política norte-americana a cada ciclo eleitoral.

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