Revista britânica aponta risco de colapso fiscal após vitória de Lula

A revista britânica The Economist emitiu um alerta sobre o futuro do Brasil depois da confirmação do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a publicação, o petista protagonizou uma virada histórica ao superar Flávio Bolsonaro por uma margem de quase quatro pontos porcentuais no segundo turno, em 25 de outubro. No entanto, enquanto os aliados do PT comemoram, os mercados e investidores entraram em pânico generalizado.

Impacto imediato nos mercados financeiros

A reação foi imediata e violenta. No primeiro dia útil depois da eleição, o real despencou 8% frente ao dólar — o pior tombo diário registrado em mais de 25 anos. O índice Ibovespa, por sua vez, derreteu 14%. De acordo com a The Economist, o capital está em debandada porque os agentes econômicos temem, com razão, uma onda de gastos desenfreados e a estagnação do país. Do lado da oposição, a revista relata que o clima é de temor. Flávio deixou o Brasil e buscou refúgio nos Estados Unidos. O senador tomou a decisão depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenar a retenção de seus passaportes. Apesar da turbulência política, a revista britânica enfatiza que o principal perigo ao país vem da rota de colisão econômica desenhada pelo governo Lula.

A fatura da gastança e os juros elevados

Segundo o The Economist, o mercado apostava na vitória de Flávio pela absoluta desconfiança em relação a Lula. O texto destaca que sucessivas administrações gastaram sem limites, o que fez o Banco Central elevar a taxa de juros real para 9%. Como resultado, o Brasil compromete uma fatia do PIB com o pagamento de juros da dívida superior à de quase todas as grandes nações. Nem mesmo a fartura de recursos naturais, como o agronegócio, os minerais e o petróleo, foi capaz de livrar o país de décadas de crescimento medíocre sob a tutela de um Estado gastador.

Indicadores econômicos alarmantes

Os dados compilados pela publicação reforçam o tamanho do buraco:

Déficit recorde: O déficit orçamentário do governo Lula supera 9% do PIB.

Explosão da dívida: O Fundo Monetário Internacional estima que a dívida pública atingirá 97% do PIB ainda neste ano, contra 84% deixados em 2022.

Conta das promessas: Novos programas assistencialistas prometidos por Lula — que minimizou a responsabilidade fiscal — custarão cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.

Desafios políticos e o futuro do mandato

Para a revista londrina, se o presidente de 81 anos quiser salvar seu legado e não empurrar os mais pobres para uma crise severa, terá de adotar um rumo oposto ao discurso de campanha. As exigências incluem a indicação de um ministro da Fazenda com credibilidade perante o setor produtivo, a aprovação de um teto de gastos rigoroso, a extinção de isenções fiscais que beneficiam corporações ligadas a lobistas e o freio nos reajustes de aposentadorias de militares e servidores públicos, que avançam acima da inflação.

O periódico chama atenção para outro ponto sensível: a concentração de poder nas mãos de Lula neste novo mandato. O petista terá a prerrogativa de indicar diretores para o Banco Central, nomear cargos na Superintendência das Finanças Públicas e, sobretudo, indicar quatro novos ministros para o STF — corte classificada pela The Economist como um órgão abertamente politizado e desgastado por alegações de corrupção. A advertência final da publicação britânica é taxativa: se Lula encarar o resultado eleitoral como carta branca para intensificar a gastança e as políticas que quase o derrotaram, causará uma recessão profunda e um desastre fiscal, o que transformará sua vitória dourada em cinzas.

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