Mortalidade masculina em Goiás evidencia urgência de cuidados integrais

Os acidentes de trânsito e as doenças cardiovasculares figuram entre os principais fatores responsáveis pela morte de homens em Goiás. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde revelam que, no período entre 2021 e 2025, cerca de 18,5 mil homens com idades entre 20 e 59 anos perderam a vida devido a causas externas no estado.

Impacto das causas externas e acidentes

O cenário atual reforça a relevância da campanha Novembro Azul, que amplia seu escopo para além da prevenção ao câncer de próstata, buscando conscientizar o público masculino sobre a necessidade de cuidados abrangentes com o bem-estar. A superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Lígia Duarte, esclarece que as causas externas englobam ocorrências não associadas a patologias, a exemplo de homicídios, suicídios, quedas, afogamentos, queimaduras, intoxicações e desastres viários.

No território goiano, as ocorrências no trânsito — com destaque para motocicletas —, somadas a suicídios e quedas, concentram-se principalmente na faixa etária dos 20 aos 39 anos. “Os dados mostram que, entre os homens goianos, o que mais mata são as doenças do aparelho circulatório e as causas externas, como acidentes e violência. E o nosso papel é cuidar do homem por inteiro”, afirma Lígia.

Ameaça silenciosa das doenças cardiovasculares

As enfermidades do sistema circulatório também respondem por uma fatia expressiva dos óbitos masculinos na região. Entre 2021 e 2025, foram contabilizados aproximadamente 11,8 mil falecimentos decorrentes dessas condições na mesma faixa etária, abrangendo infarto agudo do miocárdio, derrames cerebrais (AVC), patologias isquêmicas e complicações associadas à hipertensão.

De acordo com a gestora da SES, quadros de pressão alta, diabetes descontrolada, taxas elevadas de colesterol, excesso de peso, falta de exercícios físicos, tabagismo, ingestão excessiva de álcool e dietas inadequadas impulsionam o surgimento desses problemas. É comum que os pacientes convivam por anos com esses fatores de risco sem supervisão médica, panorama agravado pela baixa frequência em exames preventivos.

Barreiras culturais e de acesso aos serviços

Fatores culturais e estruturais dificultam a busca por atendimento, pois o horário de funcionamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) costuma coincidir com a jornada de trabalho. A relutância em frequentar postos médicos também decorre do receio de diagnósticos desfavoráveis, do constrangimento diante de exames específicos e da ausência do hábito de realizar check-ups periódicos. “Existe uma falsa ideia de que cuidar da saúde é uma coisa de quem está doente, ou talvez a doença como um sinal de fragilidade”, destaca.

Dia D e mobilização estadual

Para aproximar o público masculino dos serviços de saúde, a Secretaria de Estado da Saúde programou para 17 de novembro o Dia D da campanha, com ações educativas em postos estaduais, municipios e regionais. As unidades ofertam gratuitamente consultas, vacinação, testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), monitoramento de enfermidades crônicas e orientações sobre saúde mental e tabagismo.

Com o intuito de facilitar o acesso, a pasta recomenda que as administrações municipais avaliem a extensão do atendimento nas UBS, incluindo plantões aos sábados. “Nosso recado nesse Novembro Azul é que os homens procurem a unidade básica de saúde mais próxima. O atendimento é gratuito, e o cuidado começa antes da doença”, conclui.

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