O Acidente Vascular Cerebral é classificado principalmente em duas categorias: o isquêmico e o hemorrágico. Enquanto o primeiro responde por até 85% dos diagnósticos, o segundo compreende uma fatia menor das ocorrências. As distinções entre os quadros vão além da incidência, englobando também mecanismos biológicos, manifestações clínicas e condutas terapêuticas distintas.
Diferença entre o AVC isquêmico e o hemorrágico
Durante uma discussão sobre saúde cerebral e cardíaca, a neurologista Cristine Cukiert explicou que o AVC isquêmico acontece quando uma artéria cerebral é obstruída. “Na realidade, quando a gente tem uma obstrução, o entupimento de uma das artérias, que é a mesma coisa que acontece no infarto”, explicou a neurologista. Em contrapartida, no evento hemorrágico ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo, gerando um sangramento intracraniano.
Riscos de traumatismos cranianos na terceira idade
A especialista chamou atenção para quadros de sangramento decorrentes de traumatismos, como os hematomas subdurais ou extradurais. Essas ocorrências podem ser deflagradas por traumas simples, cujos sintomas aparecem semanas mais tarde. “Às vezes a pessoa teve uma batida, uma pancada, bateu no criado-mudo, duas semanas antes, dois meses antes”, destacou a especialista.
Importância dos exames de imagem em idosos
Devido à atrofia cerebral típica da idade avançada, o acúmulo de sangue pode progredir de forma gradual até manifestar os primeiros sinais clínicos. Por essa razão, traumas na cabeça exigem avaliação médica rigorosa. “No idoso, sempre, isso é um alerta muito importante, precisa procurar o pronto-atendimento para fazer um exame de imagem”, orientou Cristine.
Abordagens terapêuticas e a urgência do socorro
Para o tipo hemorrágico, a conduta médica é definida conforme a dimensão do sangramento, podendo incluir intervenção cirúrgica. No cenário isquêmico, a agilidade no atendimento é crucial, havendo um limite de quatro horas e meia para a administração de fármacos trombolíticos ou a realização de trombectomia mecânica. “A gente tem janelas de tratamento em que a gente vai usar justamente essa medicação para desobstrução do vaso”, afirmou Cristine, reforçando a urgência no socorro: “Não pode ficar esperando passar. Tem que ser na hora, e o quão mais rápido for, maior a chance que eu tenho de ter um sucesso nesse tratamento.”