A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva monitora de perto as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, nos Estados Unidos. O Palácio do Planalto aguarda o desfecho do pleito para traçar os próximos passos da relação bilateral entre Brasília e Washington.
Impacto do pleito no congresso norte-americano
Marcada para esta terça-feira, 3, a votação vai renovar todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das cem vagas do Senado norte-americano. Atualmente, o Partido Republicano, vinculado ao presidente Donald Trump, detém a maioria em ambas as Casas legislativas. A nova configuração de forças pode alterar diretamente a tramitação de propostas enviadas pela Casa Branca.
Negociações comerciais e tarifas em compasso de espera
Integrantes da administração federal avaliam que parte das tratativas entre os dois países pode permanecer em banho-maria até que a situação política nos Estados Unidos se estabilize. Um dos pontos centrais da agenda entre as nações envolve as discussões sobre as tarifas aplicadas pelos norte-americanos a mercadorias brasileiras. As conversas haviam sido retomadas em agosto, após um contato telefônico entre Lula e Trump, mas perderam tração durante o calendário eleitoral do Brasil.
Fatores políticos e viagem recente
Terminado o segundo turno da disputa presidencial brasileira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou para Miami, nos Estados Unidos, após obter autorização de entrada. Donald Trump declarou ter mantido postura neutra na corrida eleitoral brasileira, embora tenha classificado o pleito como “vergonhoso”.
Meio ambiente e regulação digital no radar do planalto
O governo brasileiro também analisa como eventuais mudanças na proporção de forças do Legislativo estadunidense podem respingar em pautas prioritárias, a exemplo da pauta ambiental e das regras voltadas às grandes empresas de tecnologia. Uma eventual ampliação da bancada democrata abriria brecha para debates caros à gestão petista, embora analistas ressaltem que isso não mudaria de forma automática os rumos da política externa dos Estados Unidos.
As chamadas midterms ocorrem exatamente na metade do mandato presidencial norte-americano. Além dos congressistas em Washington, os eleitores também definem governadores e cargos estaduais em diversas regiões do país, movimentando ainda mais o cenário político global.