Um ataque cibernético em larga escala comprometeu os sistemas de refrigeração e freezers de dezenas de estabelecimentos comerciais em sete nações europeias nesta segunda-feira (2). A invasão forçou o aquecimento drástico dos equipamentos, atingindo marcas de até 50°C, o que obrigou as redes afetadas a descartar uma enorme quantidade de mantimentos estragados.
Países atingidos e redes afetadas
A ofensiva digital alcançou unidades na Bélgica, em Luxemburgo, na Suécia, na Irlanda, na Holanda, na Estônia e na Finlândia. Entre as marcas prejudicadas estão gigantes como Delhaize, Carrefour, Colruyt, ICA, Coop e ao menos uma filial da rede Ikea. Somente na Bélgica e em Luxemburgo, cerca de 40 lojas da Delhaize sofreram consequências diretas. Uma unidade situada na cidade belga de Hoeilaart calculou perdas de 100 mil euros em mercadorias perdidas, além dos danos financeiros causados pela paralisação temporária das atividades.
Modus operandi e prejuízos pelo continente
De acordo com a fabricante belga Sabcobel, os criminosos ativaram manualmente o modo de degelo dos aparelhos, provocando a elevação da temperatura interna. A suspeita é de que o grupo tenha utilizado a mesma estratégia aplicada contra centenas de supermercados na França no mês de outubro. O Carrefour reportou problemas em 15 lojas belgas, enquanto a Colruyt confirmou falhas em cinco unidades geridas por franquias.
Na Suécia, sete pontos de venda da rede Coop registraram instabilidades, enquanto a ICA identificou falhas pontuais. Na Irlanda, o grupo Musgrave contabilizou 13 unidades da rede SuperValu afetadas, limitando o problema a um único modelo de refrigerador. Já na Holanda, a fabricante Danfoss apontou invasões em redes de pelo menos 17 empresas locais. A Finlândia teve ocorrências em lojas da rede K, e a Estônia confirmou estragos em um supermercado Selver e comércios vizinhos.
Investigação internacional e segurança
Órgãos de inteligência e segurança da informação da Bélgica e da Suécia já iniciaram as apurações oficiais para rastrear a origem da ofensiva. O centro britânico de cibersegurança também atua em cooperação com parceiros internacionais e corporações privadas, embora o Reino Unido não tenha contabilizado nenhuma ocorrência em seu território até o momento.
Especialistas apontam que a facilidade de conectar sistemas de refrigeração à internet para manutenções remotas acaba criando brechas perigosas para invasões. Katrien Eggers, porta-voz do Centro de Segurança Cibernética da Bélgica, afirmou que a inteligência artificial pode facilitar a exploração de vulnerabilidades.