O Cemitério Santana, localizado no bairro de Campinas e um dos locais mais visitados durante o feriado de Finados, abriga uma das lendas urbanas mais conhecidas de Goiânia: a do caroneiro fantasma. Conforme relatos populares, uma pessoa solicita carona sob o pretexto de precisar muito de ajuda e desaparece de dentro do veículo no decorrer do trajeto, podendo se tratar de um homem, uma mulher ou até mesmo uma criança.
Pesquisa acadêmica sobre mitos urbanos
A narrativa faz parte de um levantamento conduzido pelo historiador Luiz Felipe Pereira Nunes na Universidade Estadual de Goiás (UEG), que catalogou 17 histórias de cunho sobrenatural ligadas a diferentes pontos da capital goiana. O estudo acadêmico, apresentado em dezembro de 2024, sistematizou relatos populares colhidos ao longo de mais de duas décadas.
O que sobressai no caso do Santana é a mutabilidade do passageiro misterioso, que assume três formas distintas na catalogação elaborada pelo pesquisador, mantendo fixo apenas o ponto de partida na entrada do cemitério. Para validar os registros, o autor buscou referências em veículos de imprensa locais, evidenciando como o enredo se integrou ao folclore urbano da cidade.
Patrimônio histórico e memória coletiva
Inaugurado em 1940, o local figura entre os espaços funerários mais antigos da capital, acompanhando o processo de fundação do município. O cemitério abriga sepulturas de personalidades marcantes, como o primeiro prefeito Venerando de Freitas Borges e o ex-governador Iris Rezende, além de guardar a memória de acontecimentos trágicos, a exemplo da chacina da família Matteucci em 1957. Em 2000, o conjunto arquitetônico e funerário foi oficialmente reconhecido como patrimônio municipal.
Sepulturas de destaque e devoção popular
Além das narrativas de assombração, o espaço atrai visitantes interessados em figuras históricas e túmulos específicos. Entre os mais procurados está o do Padre Pelágio Sauter, religioso cuja memória atrai fiéis em busca de conforto espiritual ou milagres, mesmo com a trasladação de seus restos mortais para Trindade.
O trabalho desenvolvido pela universidade não busca comprovar a veracidade dos fenômenos sobrenaturais, mas sim analisar a circulação dessas histórias e sua conexão com a identidade urbana. Outras localidades da capital, como a antiga fábrica Leite Gogó no Setor Fama, também contam com registros de aparições semelhantes, compondo o panorama do patrimônio sombrio e da memória coletiva goianiense.