Partido Novo recusa aliança com Motta e prepara candidatura própria na Câmara

O Partido Novo planeja lançar uma candidatura própria para a disputa da presidência da Câmara dos Deputados, marcada para fevereiro de 2027. Para o posto, a legenda avalia três nomes internos: Jeffrey Chiquini, do Paraná, Luiz Lima, do Rio de Janeiro, e Adriana Ventura, de São Paulo.

Alinhamento com o bolsonarismo

A estratégia da sigla é selecionar um representante que mantenha forte afinidade com as bandeiras do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa escolha reflete uma guinada na postura nacional do partido, que nasceu com foco na agenda liberal e na diminuição da máquina pública, mas que agora aposta em estreitar laços com o campo conservador.

A cúpula partidária já descartou qualquer possibilidade de apoiar a recondução do atual chefe da Casa, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba. O parlamentar nordestino já assegurou o apoio de siglas do chamado centrão, além da coalizão de esquerda formada por PT, PCdoB e PV. O PL, que comandará a maior bancada na Casa a partir de 2027, também avalia fechar apoio ao atual presidente.

Estratégia eleitoral e o Fundo Partidário

Essa guinada à direita também esteve associada à urgência de expansão eleitoral da legenda. No período que antecedeu o pleito de outubro, o grupo político lidou com a ameaça de não atingir a cláusula de barreira, regra que restringe o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV.

Para cumprir a exigência legal em 2026, as legendas precisavam alcançar ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara em âmbito nacional, espalhados por vários estados, ou eleger 13 deputados federais distribuídos por pelo menos nove estados.

Superação da cláusula de barreira

O partido atingiu a meta exigida por meio do índice de votação total. A agremiação conquistou dez cadeiras na Câmara e três no Senado, superando os três deputados federais eleitos em 2022 e garantindo a continuidade do acesso aos recursos públicos e à propaganda eleitoral.

Em outubro, a legenda oficializou o apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da corrida presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda pretendia combater o governo petista e defender o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

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