Pai de Daniel Vorcaro apela ao STF por soltura alegando risco de morte

A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, protocolou um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (2/11) para solicitar a revogação da prisão preventiva ou a concessão de prisão domiciliar. O documento foi encaminhado ao presidente da corte, ministro Edson Fachin, sob a alegação de rápida deterioração no quadro clínico do detento, que está recluso desde maio na Penitenciária Nelson Hungria, localizada em Contagem, Minas Gerais.

Relatório médico aponta gravidade em quadro de diverticulite

Para fundamentar o pedido de liberdade, os advogados anexaram um relatório médico recente emitido em 28 de outubro pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos. O profissional, que acompanha o paciente há anos, registrou episódios recorrentes de inflamação intestinal e informou que há indicação cirúrgica pendente para o caso.

No documento, o especialista destacou um risco severo para a saúde do detento:
“Uma complicação da diverticulite considerada muito grave é a perfuração intestinal, caracterizada por dor abdominal extrema com possível endurecimento da parede abdominal, o que exige diagnóstico preciso, rápido e intervenção cirúrgica na maioria dos casos”, escreveu o coloproctologista.

Histórico de comorbidades e falhas no atendimento prisional

Além da enfermidade intestinal, a defesa ressalta que o custodiado sofre de hipertensão e doença arterial coronariana, tendo enfrentado um episódio de amnésia em março que exigiu internação em unidade de terapia intensiva. Os representantes legais afirmam que o estabelecimento prisional carece de infraestrutura para o manejo médico adequado e relataram episódios como a suspensão no fornecimento de remédios para pressão alta em setembro, mesmo com os fármacos já entregues ao complexo.

Diante do cenário, os advogados manifestaram abertura para que o relator estabeleça medidas cautelares alternativas caso conceda o benefício domiciliar. A defesa também enfatiza que o prazo legal de 90 dias para a reavaliação da necessidade da custódia preventiva já expirou, deixando pleitos protocolados desde agosto sem qualquer apreciação oficial.

“[Ele] está preso desde 14.05.2026, há 172 dias, sem decisão que reexaminasse, com fundamentação atual e individualizada, a necessidade da custódia”, aponta a equipe jurídica, que nega veementemente qualquer tentativa de obstrução da Justiça ou coação de testemunhas por parte do investigado. “Inexiste qualquer conduta ativa de sua parte, e muito menos violenta, com o intuito de silenciar testemunhas”, concluem os advogados, cobrando também o julgamento de um recurso pendente desde julho.

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