Pai de Daniel Vorcaro apela ao STF por prisão domiciliar devido à saúde

A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apresentou nesta segunda-feira, 2, um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para revogar a prisão preventiva ou convertê-la em prisão domiciliar. Os advogados apontam o agravamento de comorbidades e criticam a falta de respostas sobre os requerimentos pendentes desde o mês de agosto.

Relatório médico aponta risco de cirurgia e crises de diverticulite

Um novo documento clínico foi enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O relatório, assinado em 28 de outubro pelo coloproctologista Marcos Henrique Rocha Campos, detalha crises recorrentes de diverticulite — inflamação do intestino grosso —, internações passadas e a recomendação de um procedimento cirúrgico que ainda não foi realizado.

“Uma complicação da diverticulite considerada muito grave é a perfuração intestinal, caracterizada por dor abdominal extrema com possível endurecimento da parede abdominal, o que exige diagnóstico preciso, rápido e intervenção cirúrgica na maioria dos casos”, escreveu o médico.

Condições no presídio e histórico de doenças graves

Os defensores argumentam que a Penitenciária Nelson Hungria, localizada em Contagem (MG) e onde o detento está alojado desde 14 de maio, carece de estrutura médica adequada. O dossiê também menciona quadros de hipertensão, doença arterial coronariana e um episódio de amnésia registrado em março, que exigiu internação em unidade de terapia intensiva.

Questionamentos sobre prazos e investigações

Além do estado clínico, a equipe jurídica aponta o descumprimento do prazo legal de 90 dias para a reavaliação da custódia. Conforme a defesa, Henrique está preso “há 172 dias, sem decisão que reexaminasse, com fundamentação atual e individualizada, a necessidade da custódia”.

A detenção ocorreu em maio, durante a sexta etapa da Operação Compliance Zero, por ordem do ministro André Mendonça — decisão ratificada em junho pela Segunda Turma do STF. Para a Polícia Federal, ele financiava e ordenava ações de um grupo investigado por intimidação, ameaças e vazamento de dados sigilosos.

Diante da situação, os representantes legais sinalizaram aceitar medidas cautelares alternativas caso a detenção domiciliar seja concedida, além de cobrarem a análise de um recurso protocolado em meados de julho. Em setembro, um pedido semelhante já havia sido interposto sob alegação de prejuízos decorrentes da paralisação dos processos do caso Master na Corte.

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