Reforma tributária no brasil pode elevar alíquota acima de 30% e superar a hungria

A promessa de acabar com o manicômio tributário brasileiro não virá acompanhada de alívio no bolso de quem produz. Projeções recentes apontam que a unificação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) tem potencial para elevar a alíquota-padrão além dos 30%.

O impacto das projeções e o topo global

O cálculo que assusta o mercado combina a CBS calculada pelo Tribunal de Contas da União em 11% com uma projeção de 18% para o IBS, alcançando a marca estimada de 30%. Embora a CBS ainda dependa de fixação pelo Senado e o IBS não tenha alíquota final definida, o patamar coloca o Brasil no topo global da tributação sobre consumo, superando os 27% da Hungria.

Para Luís Garcia, advogado tributarista pela Universidade de São Paulo (USP), a régua pode subir ainda mais. O especialista destaca: “Simplificar o sistema está longe de significar redução do peso do Estado sobre a atividade produtiva.” Ele acrescenta: “Acredito que o IBS ainda será maior do que o projetado” e que “O empresário não pode tratar esses números como uma conta encerrada.”

Desafios na construção civil e no agronegócio

O impacto será heterogêneo entre os setores produtivos. No mercado imobiliário e de infraestrutura, estimativas indicam alta de até 20% nos custos de empreendimentos sem ajustes preventivos. Garcia reforça que “A margem da obra não pode depender de uma descoberta tributária posterior à assinatura do contrato” e que “É preciso antecipar os custos e definir como as mudanças serão tratadas.”

No agronegócio, fertilizantes e sementes certificadas têm tributação projetada em 11%, enquanto o arrendamento rural fica em 8%. O principal gargalo reside no fluxo financeiro e no acúmulo de créditos de exportação. Conforme pontua o especialista: “Ter crédito registrado não significa ter dinheiro para pagar a próxima obrigação”, ressaltando que “O planejamento precisa acompanhar o ciclo de produção e de recebimento das vendas.”

Indústria, logística e recuperação de créditos

Na indústria, o custo líquido e o sistema de split payment — que recolhe tributos na liquidação financeira — exigirão rigor operacional. Sobre as escolhas de fornecedores, Garcia reforça: “Uma proposta aparentemente mais barata pode deixar menos crédito e representar custo maior. Compras, financeiro e fiscal precisam avaliar essa consequência antes da contratação.”

Diante desse cenário de alta carga tributária, a revisão de pagamentos passados ganha destaque, visto que grande parte das empresas recolhe mais tributos do que o necessário. Dados do Tax Group mostram recuperação milionária nos últimos anos em diversos setores.

Para atravessar o período de transição, o especialista conclui com um alerta direto aos empresários: “A empresa precisa trabalhar com cenários e proteger sua margem”, reiterando que “Esperar que a reforma, por si só, reduza os impostos é uma aposta que o planejamento não pode fazer.”

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