Acordo mediado por Melania Trump garante ajuda mensal em Oleshky

A comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, afirmou nesta segunda-feira (2) que, com a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, atuando como mediadora, a entrega de ajuda humanitária a Oleshky, na Ucrânia, passará a ocorrer mensalmente. Centenas de moradores de uma cidade ocupada no sul do país, que sobreviveram por meses sem suprimentos básicos, começaram a ser retirados sob esse acordo de cessar-fogo.

Situação crítica e isolamento em Kherson

A cidade de Oleshky, localizada na região ucraniana de Kherson, está sob ocupação russa contínua desde abril de 2022. Cerca de 2 mil pessoas, incluindo 50 crianças, continuam presas no município severamente destruído, segundo autoridades ucranianas. Todas as rotas de acesso estavam fortemente minadas ou tomadas por drones, o que tornava a fuga impossível antes da trégua.

A deterioração humanitária atingiu níveis extremos nos últimos meses. Em setembro, o município ficou totalmente desabastecido de alimentos, eletricidade, gás, medicamentos e eletricidade. Relatos indicam que moradores precisaram comer ervas daninhas e procurar restos de comida, enquanto corpos permaneciam nas ruas.

Operação de retirada e bastidores da trégua

O cessar-fogo temporário entrou em vigor na terça-feira e foi posteriormente ampliado para toda a região de Kherson, aliviando também a capital regional. O ouvidor ucraniano Dmytro Lubinets viajou pessoalmente ao local para acompanhar a saída dos civis, tornando-se o primeiro representante de alto escalão do governo ucraniano a visitar abertamente áreas ocupadas desde o início da guerra.

A operação de evacuação conta com 25 ônibus e capacidade para 750 passageiros. O parlamentar ucraniano Davyd Arakhamia detalhou a rota de saída:

“A delegação ucraniana, juntamente com os moradores retirados de Oleshky, partiu em direção a Anapa, na Rússia. De lá, eles seguirão de avião para Belarus e, depois, voltarão para casa de ônibus”, afirmou o parlamentar ucraniano Davyd Arakhamia no Telegram.

Presença de autoridades e destino dos civis

A homóloga russa de Lubinets, Yana Lantratova, também esteve presente no município, aparecendo em vídeos ao lado do ouvidor ucraniano. Durante as conversas com a população local, Lubinets comentou sobre aqueles que decidiram ficar:

“Disseram-me que essa é uma escolha deles. Pelo menos vamos garantir que alguma ajuda humanitária chegue até lá”, afirmou.

A declaração da autoridade russa reforça o compromisso firmado: “Ainda há pessoas em Oleshky que precisam de ajuda”, disse Lantratova.

Por fim, o ouvidor ucraniano destacou a abrangência do atendimento na região conflagrada: “Estamos em Oleshky”, afirmou ele em comunicado. “As pessoas que querem ir para o território da Federação Russa estão se reunindo aqui, assim como aquelas que desejam partir para o território da Ucrânia. Todos terão essa oportunidade.”

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