A atriz Amanda Seyfried, de 40 anos, conhecida por papéis em produções de grande sucesso, surpreende o público ao fazer uma participação inesperada no documentário “Tudo Pode Ser Visto”. A obra acompanha a trajetória de Elizabeth Holmes, fundadora da empresa de exames de sangue Theranos, que atualmente cumpre 11 anos de prisão após uma fraude bilionária.
Bastidores da produção e a escolha da atriz
A presença da artista aconteceu após os diretores Lance Oppenheim e Nathan Fielder enfrentarem sérias dificuldades para encontrar pessoas dispostas a falar sobre o assunto. A recusa generalizada de fontes externas acabou motivando a equipe a buscar a protagonista da minissérie “The Dropout”.
Em entrevista ao veículo especializado The Hollywood Reporter, Oppenheim detalhou a estratégia adotada pela equipe durante a fase de captação de depoimentos.
“Queríamos falar com ainda mais pessoas. Tentamos contato, mas muitas pessoas de fora da bolha não quiseram conversar conosco porque achavam que Elizabeth tinha uma personalidade tóxica. Foi assim que chegamos a Amanda Seyfried”, contou o diretor.
Mudança de rumo e novos caminhos narrativos
Segundo Fielder, a adesão da atriz abriu portas para um novo formato no longa-metragem, cuja primeira versão parecia incompleta mesmo abordando o desfecho judicial da fundadora da startup de tecnologia médica.
“Quando assistimos a tudo e montamos a primeira metade, embora a ida dela para a prisão parecesse algo completo, o filme não parecia finalizado porque ainda estávamos tendo conversas tentando entender tudo aquilo, influenciadas por outras coisas que aconteceram fora das câmeras”, explicou o cineasta.
“Não sabíamos para onde iríamos. E, como o Lance disse, entramos em contato com várias pessoas e, quando falamos com a Amanda, ela disse: ‘Venham, tragam as câmeras’”, acrescentou.
O primeiro encontro em frente às câmeras
Oppenheim relatou que o contato inicial ocorreu diretamente com a captação de imagens, momento em que a artista assistia aos registros do projeto. Inicialmente relutante em revisitar a personagem, Seyfried surpreendeu a equipe com imitações espontâneas.
“Aquele primeiro momento em que estamos no apartamento dela foi a primeira vez que qualquer um de nós realmente conversou com ela pessoalmente, enquanto ela assistia à filmagem. Ela até diz na cena: ‘Não tenho interesse em fazer isso de novo’. Então ela começou a imitá-la, e isso de repente nos fez pensar: ‘OK, isso é interessante’”, relembrou.
Para o diretor, a reação evidenciou uma conexão profunda e pendências emocionais com o papel. “Quase parecia que ela tinha assuntos inacabados, esse desejo de fazer tudo de novo. Isso nos levou por um caminho completamente diferente. Ela também trouxe suas próprias experiências para o processo. Foi incrível.”
O escândalo da Theranos
O documentário começou a ser filmado aproximadamente 34 dias antes de Holmes iniciar o cumprimento de sua pena, registrando os momentos finais em liberdade da empresária que prometia revolucionar a medicina com exames feitos a partir de uma única gota de sangue no Vale do Silício.
Condenada em 2022 por enganar investidores com a empresa que faliu, Elizabeth Holmes está presa na unidade federal FPC Bryan, no Texas, desde maio de 2023. O longa-metragem tem estreia marcada nos cinemas para o dia 26 de novembro.