Em dias de baixas temperaturas, é comum recorrer a um vinho, uma dose de uísque ou um drinque quente para tentar espantar o frio e buscar conforto. Contudo, a crença de que a substância realmente aquece o organismo é um mito perigoso.
Como o organismo regula a temperatura
De acordo com Winston Morgan, professor de toxicologia, equidade e práticas inclusivas na Universidade de East London, a sensação de calor provocada pela bebida não significa que a temperatura interna esteja aumentando. Pelo contrário, o consumo pode favorecer a perda de calor e representar um risco em ambientes frios.
Esse mecanismo de controle térmico é coordenado pelo hipotálamo, uma região do cérebro encarregada de responder às mudanças climáticas. Em situações de calor elevado, os vasos sanguíneos superficiais se dilatam para liberar energia para o ambiente. Em contrapartida, quando o corpo sente frio, ocorre a vasoconstrição, reduzindo o fluxo sanguíneo periférico para preservar o calor interno.
O efeito enganoso do álcool na circulação
O problema central é que o álcool interfere diretamente nesse sistema de regulação natural. A substância química provoca a dilatação dos vasos sanguíneos próximos à pele mesmo quando a temperatura interna do organismo não subiu, enviando mais sangue quente para a superfície e gerando o falso bem-estar.
Riscos em ambientes de baixas temperaturas
Essa reação fisiológica pode facilmente enganar quem consome bebidas alcoólicas no frio, criando a falsa impressão de que o corpo está aquecido e induzindo a pessoa a retirar peças de vestuário.
Contudo, na prática, a maior circulação de sangue na pele acelera a transferência de calor para o ambiente externo, fazendo com que a temperatura interna caia progressivamente e elevando seriamente o risco de desenvolvimento de hipotermia.