O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com o dólar em alta e o Ibovespa em baixa, impulsionado pela cautela dos investidores diante de importantes eventos políticos e econômicos no Brasil e no exterior. A principal atenção dos agentes econômicos está voltada para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começou nesta terça-feira, 3, para definir a nova taxa básica de juros, a Selic.
Cenário cambial e bolsa de valores
Por volta das 10h10, o dólar avançava 0,82% frente ao real, sendo negociado a R$ 5,489, após atingir máxima de R$ 5,515. Na sexta-feira anterior, a moeda norte-americana havia fechado cotada a R$ 5,444, acumulando ganhos de 5,22% no mês de outubro. Paralelamente, o Ibovespa recuava 1,38%, aos 165.607,73 pontos no mesmo horário, refletindo a retração de 0,75% registrada no último pregão da semana passada.
Indefinição sobre a taxa Selic e eleições nos Estados Unidos
Na frente monetária, a expectativa predominante mudou após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto analistas antes projetavam um novo corte de 0,25 ponto porcentual, cerca de 70% do mercado agora aposta que o Copom interromperá o ciclo de baixa, mantendo a Selic no patamar atual de 13,75% ao ano. No âmbito internacional, o foco do dia são as eleições legislativas de meio de mandato, as midterms, nos Estados Unidos, onde pesquisas indicam que o Partido Democrata pode conquistar a maioria no Congresso, representando uma derrota política para o governo de Donald Trump.
Temores com o tabelamento de juros
Além da conjuntura internacional, os investimentos sofrem com a apreensão em torno de uma proposta de tabelamento da taxa de juros defendida pelo economista André Lara Resende, que teria recebido apoio de alas do Partido dos Trabalhadores, apesar da negação da equipe econômica sobre negociações. O plano prevê reduzir gradativamente a Selic para cerca de 7,5% em um ano e criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, gerando receios entre os agentes de mercado sobre possível perda de credibilidade do Banco Central e descontrole inflacionário.
Completando o cenário de instabilidade, especialistas apontam que a aversão ao risco decorre do rápido reposicionamento das carteiras após o pleito presidencial. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o “agudo movimento de aversão ao risco foi impulsionado primordialmente pela necessidade de um rápido reposicionamento por parte dos investidores”. A analista acrescenta que “até o fim do período eleitoral, parcela expressiva do mercado financeiro operava posicionada para um cenário de vitória do candidato Flávio Bolsonaro, o que exigiu um ajuste imediato e intenso das carteiras após a eleição de Lula”. Para as próximas semanas, a expectativa é que “o mercado financeiro brasileiro continue operando sob grande sensibilidade ao noticiário político de transição”, conclui Nossig, ressaltando que os investidores aguardam anúncios concretos sobre a gestão fiscal para tentar estabilizar os ativos.