O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, apontou falhas na administração do Tribunal Superior Eleitoral durante a realização das eleições de 2026. Durante declaração na noite de segunda-feira (2), o magistrado cobrou uma postura de neutralidade da instituição, atualmente sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques.
Cobrança por imparcialidade e críticas ao silêncio
Sem mencionar nomes de autoridades, o decano do STF ressaltou que a liderança do órgão responsável por organizar o pleito precisa agir com equidistância. “De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, afirmou. Em seguida, o magistrado complementou: “Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros.”
Para o ministro, a omissão diante de impasses pode gerar brechas para decisões conflitantes e alimentar críticas infundadas contra a segurança do sistema de votação. Apesar das críticas à gestão, ele enfatizou que a atuação conjunta dos ministros garantiu a lisura da disputa. “Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, pontuou.
Volume de processos e contexto do pleito
Dados oficiais apontam que a Justiça Eleitoral lidou com mais de 100 mil processos ao longo deste ano, abrangendo disputas judiciais sobre propaganda nas redes sociais entre as campanhas presidenciais.
O pleito foi marcado pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com uma diferença de 4,4 milhões de votos. O horário de votação foi estendido até as 19h por determinação do STF devido a problemas no transporte público. Posteriormente, o segundo colocado deixou o país rumo aos Estados Unidos e questionou o resultado sem apresentar provas, enquanto o TSE e a Suprema Corte reafirmaram a normalidade e a segurança de todo o processo democrático.