Uma inteligência artificial brasileira já auxiliou as forças policiais de quatro estados a solucionar 7 mil investigações criminais, abrangendo ocorrências de homicídios, tráfico de entorpecentes, violência de gênero, além de roubos e furtos de automóveis.
Como funciona a tecnologia na segurança pública
O sistema tecnológico responsável pelas análises foi criado pela Pax, uma empresa nacional especializada em soluções de IA para o setor. A ferramenta atua cruzando informações que já estão sob a custódia do Estado — como boletins de ocorrência, bancos criminais, registros de veículos e arquivos de imagem — com o objetivo de otimizar a organização e o acesso a esses dados.
É importante destacar que a inteligência artificial não tem a atribuição de indicar culpados. Cada indício gerado precisa ser validado ou descartado por um agente policial, e todas as buscas efetuadas ficam devidamente registradas em nome de um operador credenciado. Até outubro de 2026, a aplicação do recurso resultou em 4,7 mil capturas e na recuperação de 2,1 mil automóveis nos estados de Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará.
Expansão e casos de destaque
Atualmente, a companhia opera com a tecnologia em pelo menos 200 municípios brasileiros, uma marca expressiva frente às apenas 10 cidades atendidas no início do ano. Um dos episódios de maior eficácia ocorreu durante a apuração de um furto a uma joalheria situada em Goiânia.
Na ocasião, os criminosos invadiram o estabelecimento pelo duto de ventilação durante a madrugada e fugiram no período da manhã levando duas mudas de roupa e dois automóveis. Munida apenas de uma descrição física e de informações sobre uma picape branca, a polícia utilizou o sistema para mapear 2 km da rota de fuga e capturar três suspeitos no mesmo dia.
Balanço de resultados nos estados
Os impactos da ferramenta variam conforme a atuação em cada região do país, apresentando números expressivos nas Secretarias de Segurança Pública:
Goiás e Paraná
Em território goiano, foram contabilizados mais de 3 mil casos esclarecidos, ultrapassando a marca de mil detenções e mil veículos recuperados, conforme dados da SSP. Já no Paraná, a tecnologia esteve presente em 20 municípios, auxiliando na solução de quase 1,9 mil ocorrências, 1,3 mil prisões e mais de 550 automóveis reavidos até agosto. Somente no enfrentamento à violência contra a mulher, a ferramenta colaborou para 240 detenções de agressores e suspeitos de crimes sexuais entre janeiro e setembro de 2026, incluindo 98 mandados cumpridos contra foragidos por estupro de vulnerável e 51 prisões por descumprimento de medidas protetivas.
São Paulo
No estado paulista, a atuação concentrada no município de Bauru contribuiu para o esclarecimento de 400 investigações, somando quase 300 detenções e mais de 80 veículos recuperados.
O suporte tecnológico surge em um cenário desafiador para a segurança pública nacional, onde seis em cada dez assassinatos cometidos no país permanecem sem solução, de acordo com levantamento divulgado em julho pelo Instituto Sou da Paz.
Aprovação popular e percepção dos brasileiros
No aspecto social, o emprego de ferramentas inteligentes na segurança conta com o respaldo de 86% da população brasileira, segundo pesquisa realizada em setembro pela Quaest em parceria com a desenvolvedora da tecnologia. Desse total, 60% demonstram apoio irrestrito, enquanto 26% revelam simpatia pela medida.
Entre a parcela da população que demonstra resistência ao uso da tecnologia na área, o principal receio apontado é a margem de erro na identificação de cidadãos de forma equivocada (16%). Em seguida figuram a descrença na eficácia do sistema (15%), a apreensão com a violação de privacidade (12%) e a desconfiança geral em relação aos recursos de inteligência artificial (10%).
Por outro lado, o levantamento indica que 97% dos entrevistados concordam com o emprego de câmeras equipadas com inteligência artificial para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas. A varredura em busca de veículos utilizados em delitos ou furtados e a identificação de foragidos da Justiça também registraram índices expressivos de aceitação popular, alcançando 96% de aprovação em ambas as categorias.