O economista e ex-diretor do Banco Central José Júlio Senna discordou publicamente das teses apresentadas por André Lara Resende no artigo intitulado “Eu Acuso”. Para Senna, a alta taxa de juros não pode ser apontada como a principal ou a única responsável pela expansão do endividamento do governo brasileiro.
Divergência com um dos pais do Plano Real
Durante entrevista concedida ao programa WW, da CNN Brasil, Senna reconheceu a relevância histórica de André Lara Resende, especialmente por sua participação na formulação do Plano Real. Contudo, o ex-diretor pontuou que, a partir de certo ponto, as visões dos dois economistas tomaram caminhos totalmente opostos. “Não há aspecto algum do texto com o qual eu me sinta à vontade de concordar”, declarou Senna.
O papel do superávit primário segundo estudo econômico
Para fundamentar sua argumentação, o especialista recorreu a uma pesquisa empírica conduzida por Fernando Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE). Conforme o ex-diretor do BC, o levantamento possui forte rigor metodológico e evidencia que o fator determinante para o avanço da dívida foi a falta de superávits consistentes.
O impacto da falta de resultados fiscais positivos
O estudo aponta para “a ausência de uma contribuição das contas públicas para o pagamento da conta de juros nos últimos anos”. De acordo com o raciocínio exposto, a incapacidade do Estado em gerar saldos primários positivos força a emissão de novos títulos públicos para cobrir o rombo fiscal, impulsionando a dívida.
Embora tenha reconhecido que a política monetária e os juros exercem “uma influência importante” sobre a economia, Senna reiterou que essa variável é secundária no processo de endividamento, rechaçando a premissa central defendida por Resende em seu manifesto.