O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), utilizou sua conta na rede social X nesta terça-feira (3/11) para reiniciar a mobilização popular em favor da realização de um segundo turno na disputa pelo governo do estado. A polêmica jurídica gira em torno da contagem dos votos e da situação de candidaturas com registro indeferido na última eleição.
Estratégia de silêncio temporário
De acordo com o político, o tema foi evitado propositalmente durante a corrida presidencial para não gerar interferências na votação nacional. Com o encerramento daquela etapa, a discussão sobre a contagem dos votos fluminenses voltou ao centro das prioridades da legenda.
“Agora chegou a hora de a gente falar sobre isso. Ao longo da última semana, eu vi muitas manifestações de diferentes setores da sociedade fluminense exigindo a realização de segundo turno aqui. Hoje eu reinicio, junto com vocês, essa luta”, declarou.
Controvérsia sobre a candidatura de garotinho
O centro do embate jurídico envolve a participação de Anthony Garotinho (Republicanos) no pleito de 4 de outubro. Paes argumenta que o ex-governador estava inelegível no momento da votação, mas mesmo assim obteve 274.411 sufrágios na urna eletrônica, correspondendo a 3,17% do total.
“Desde o início da campanha a gente denunciou que o candidato Garotinho estava com seus direitos políticos cassados. Ele não podia votar e muito menos ser candidato”, afirmou.
Disputa jurídica no Supremo Tribunal Federal
O partido de Paes levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.362, que está sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin. A legenda quer que os votos atribuídos a Garotinho entrem no cálculo da maioria absoluta para definir a necessidade de um segundo turno.
No resultado preliminar das urnas, Douglas Ruas (PL) atingiu 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes somou 42,76%. Contudo, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a anulação dos votos de Garotinho em 8 de outubro, a retotalização elevou o percentual de Ruas para 50,88%, garantindo a vitória antecipada ainda no primeiro turno.
Respeito à vontade popular
Para a sigla, os sufrágios depositados na urna não podem ser desconsiderados após o processo eleitoral, pois refletem a escolha real de parte da população do estado. O entendimento é de que a regra da maioria absoluta precisa ser avaliada com base na totalidade das manifestações dos eleitores fluminenses.
“E essa não é uma ação sobre uma candidatura, um candidato ou outro. É preciso respeitar a vontade das urnas expressas no dia 4 de outubro. E o Rio escolheu ter segundo turno. O povo do Rio de Janeiro tem o direito de votar”, disse.
A definição final sobre o impasse agora depende exclusivamente da análise do STF, que julgará se haverá ou não uma nova etapa de votação para o governo fluminense.