Uma cafeteria localizada em Goiânia decidiu se antecipar ao debate nacional sobre a jornada de trabalho e adotou a escala 5×2 desde a sua abertura, há cerca de um ano. Com a decisão de garantir dois dias de descanso por semana aos funcionários, os criadores do estabelecimento registraram um impressionante salto de 250% no faturamento.
Impacto da nova legislação trabalhista
A iniciativa do negócio alinha-se diretamente com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determinou o fim da jornada 6×1. A nova regra estabelece um limite máximo de 40 horas semanais e assegura dois dias de repouso remunerado, sem cortes nos salários. A medida foi aprovada no Senado e já se encontra promulgada.
Os empresários Cláudia Rodrigues e Eder de Sousa, responsáveis pela Oh! Umami, viram a decisão legislativa com bons olhos. “Recebemos essa aprovação de forma muito positiva, porque reconhece a importância de equilibrar a vida profissional com as necessidades pessoais dos trabalhadores”, destacou Cláudia. A empreendedora reforçou que a escolha pela folga dupla ocorreu logo na fundação da empresa. “Acreditamos que essa organização permite que as pessoas tenham mais tempo para cuidar da saúde, da família e de seus compromissos. Para nós, a mudança não representa uma ruptura, mas reforça uma escolha que fizemos desde o início da empresa.”
Regras de transição e os desafios do setor
Com a nova lei, o limite de 44 horas semanais cairá gradualmente para 40 horas. Nos primeiros 60 dias após a promulgação, o teto passa a ser de 42 horas, garantindo imediatamente os dois dias de folga, que devem incluir o domingo preferencialmente. A consolidação definitiva das 40 horas ocorrerá após 12 meses.
Para o setor de alimentação e serviços, a adaptação exige planejamento estratégico. Segundo Cláudia, as empresas precisarão reestruturar turnos e entender os fluxos de clientes. “Cada atividade tem suas particularidades, e isso exige planejamento, dimensionamento adequado das equipes e compreensão dos horários de maior demanda. No setor de alimentação, por exemplo, é preciso considerar o movimento dos estabelecimentos e organizar os turnos de acordo com o perfil dos clientes”, argumentou a empresária.
Produtividade e satisfação da equipe
A visão dos proprietários é de que o bem-estar reflete diretamente nos resultados comerciais da marca. “Mas acredito que é possível conciliar produtividade, resultados e qualidade de vida. As empresas também precisam compreender que profissionais que têm tempo para cuidar da própria vida tendem a trabalhar mais satisfeitos e felizes”, enfatizou, apontando que a gestão precisa mapear necessidades internas e fluxos de atendimento antes de implementar o modelo.
Do ponto de vista de quem está na operação diária, a escala diferenciada traz impactos práticos fundamentais. O atendente Yare Sobreira relata que o tempo extra é essencial para administrar a vida pessoal. “Com um dia a mais de descanso, a gente consegue resolver as coisas que precisa, ir ao médico, pagar contas e cuidar de burocracias. Isso ajuda a organizar melhor a rotina e distribuir essas atividades ao longo da semana”, explicou.
O funcionário também resume o sentimento geral da equipe diante do modelo adotado pela empresa goianiense. “As pessoas querem qualidade de vida e também querem ganhar dinheiro. É possível ter os dois. Quando a empresa oferece condições para que o profissional tenha tempo para cuidar da própria vida, isso contribui para que ele trabalhe mais satisfeito”, concluiu.