Vale-refeição e vale-alimentação passam a ser aceitos em mais maquininhas a partir de sexta

Cartões de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) de diferentes operadoras deverão ser aceitos em qualquer maquininha habilitada para processar esse tipo de pagamento a partir de sexta-feira, 7. A mudança integra a atualização do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e busca ampliar as opções de uso dos benefícios e reduzir os custos para os estabelecimentos comerciais.

A interoperabilidade permite que os cartões sejam utilizados sem a necessidade de cadastro prévio do restaurante em cada operadora ou de equipamentos específicos para determinadas bandeiras. A aceitação, porém, não será obrigatória para todos os comércios: caberá ao estabelecimento decidir se deseja receber os benefícios, desde que esteja habilitado a processar essas transações.

Ao Jornal Opção, o presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes de Goiânia (Sindibares), Newton Pereira, afirma que a integração pode tornar o recebimento dos vales mais viável para os empresários. Segundo ele, antes da mudança, as taxas cobradas em algumas operações chegavam a 7% ou 10%, enquanto o prazo de repasse podia alcançar 30 dias.

“Com essa integração, as maquininhas poderão receber os vales de diferentes operadoras, como já acontece com os cartões de crédito. Além disso, para os estabelecimentos participantes do PAT, a taxa de desconto fica limitada a 3,6%, a tarifa de intercâmbio a 2% e o repasse deve ocorrer em até 15 dias”, explica.

Integração ainda pode apresentar falhas

Apesar da previsão de implementação integral em novembro, a adaptação dos sistemas ainda pode gerar dificuldades. Pereira afirma que grandes empresas do setor já estariam preparadas para operar com as novas regras, mas que operadores menores podem não ter concluído a integração.

“Na maioria dos casos, a operação deve estar efetivada no dia 7. Mas temos notícia de que alguns operadores menores ainda não conseguiram integrar completamente os sistemas. Por isso, o consumidor poderá encontrar dificuldades para usar o cartão em uma maquininha ou outra”, afirma.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também aponta obstáculos técnicos e questiona se a integração estará plenamente funcional em toda a rede. A implementação depende da conexão entre operadoras de benefícios e empresas responsáveis pelos equipamentos de pagamento.

A redução dos custos pode estimular mais bares e restaurantes a aceitar os benefícios, avalia o presidente do Sindibares. Segundo ele, alguns estabelecimentos evitavam trabalhar com vale-refeição e vale-alimentação devido às taxas mais altas e aos prazos de recebimento.

“Não temos uma estimativa do impacto no faturamento, mas a mudança pode ser muito interessante. Com custos mais favoráveis e um prazo de repasse menor, acredito que mais empresas vão aderir ao sistema. O consumidor também terá uma rede maior de locais para utilizar o benefício”, disse.

As novas regras não alteram automaticamente o valor pago aos trabalhadores. O vale-refeição continua destinado à compra de refeições prontas, enquanto o vale-alimentação é voltado à aquisição de alimentos. A ampliação da aceitação se aplica aos benefícios vinculados ao PAT, e a disponibilidade efetiva dependerá da habilitação dos estabelecimentos e da integração dos sistemas.

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