A mineradora australiana Cazaly Resources firmou um acordo para adquirir até 90% de uma empresa detentora de projetos de terras raras e urânio localizados em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. A transação abrange 64 direitos minerários espalhados por uma área de aproximadamente 1.118 quilômetros quadrados.
Detalhes do acordo e etapas da negociação
Conforme comunicado divulgado à Bolsa de Valores da Austrália, o plano é comprar uma fatia da Einstein Ventures, que atualmente detém 100% dos empreendimentos. O contrato prevê um período inicial para a avaliação técnica, financeira e jurídica dos ativos, além de uma opção de compra válida por 12 meses.
Inicialmente, a Cazaly terá 30 dias para analisar os projetos. Caso decida prosseguir, a empresa deverá investir 200 mil dólares em pesquisas durante os primeiros seis meses. Na etapa seguinte, se optar por continuar, será necessário um aporte adicional mínimo de 300 mil dólares. Para consolidar a compra de 90%, a companhia precisará desembolsar mais 1 milhão de dólares aos atuais proprietários, formando uma joint venture.
Metas e pagamentos adicionais
O contrato estabelece ainda bônus vinculados a metas, como a comprovação de recursos minerais e a conclusão de estudos de viabilidade. Se todas as condições forem atingidas, esses pagamentos poderão somar mais 7 milhões de dólares.
Projetos e características geológicas no sul e sudeste
A maior parte das áreas negociadas fica no Rio Grande do Sul, com destaque para o projeto Encruzilhada, que apresenta condições favoráveis para a ocorrência de terras raras e urânio. Amostras coletadas em campanhas recentes identificaram concentrações de óxidos totais de terras raras, embora os dados ainda não permitam dimensionar reservas ou a viabilidade comercial.
Outro ponto de interesse é o projeto West Lavras, onde as buscas se concentram em terras raras associadas a argilas de adsorção iônica, materiais altamente valorizados na fabricação de ímãs permanentes e tecnologias avançadas. A empresa também avalia a possibilidade de encontrar ouro na mesma região.
Regulamentação do urânio e monopólio estatal
A incursão em projetos com potencial para urânio esbarra nas regras do setor nuclear brasileiro. A Constituição estabelece que a pesquisa e a lavra desses minerais integram o monopólio da União. Embora uma lei de 2022 permita a participação privada por meio de parcerias com a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a aquisição de direitos minerários não garante autorização automática para exploração independente.
Atualmente, o governo federal discute novas regras para ampliar o espaço da iniciativa privada nesse mercado. A Cazaly informou que reuniu-se com representantes da agência de atração de investimentos de Minas Gerais durante o processo de avaliação, reforçando sua estratégia de diversificação em minerais estratégicos para cadeias globais de alta tecnologia.