A fabricante do Ozempic e do Wegovy elevou suas projeções financeiras para 2026, impulsionada pelo forte desempenho trimestral da versão oral do medicamento. Esta foi a terceira revisão para cima realizada pela empresa no ano, enquanto a farmacêutica busca diminuir a vantagem da principal concorrente no mercado global de tratamentos para perda de peso.
Crescimento trimestral e novas projeções
Com o novo cenário, a companhia passou a prever uma variação entre queda de 2% e alta de 2% nas vendas e no lucro operacional ajustados, considerando taxas de câmbio constantes. Anteriormente, a estimativa da empresa apontava para estabilidade ou um recuo que poderia chegar a 6%.
O lucro operacional ajustado registrou expansão de 27% no terceiro trimestre na comparação anual, atingindo 31,72 bilhões de coroas dinamarquesas, montante que superou as expectativas do mercado. As vendas ajustadas também surpreenderam positivamente ao somar 79,2 bilhões de coroas no período.
O impacto do Wegovy em comprimidos
O sucesso comercial foi atribuído principalmente ao avanço nos volumes da linha de obesidade, com destaque para a recepção do formato oral nos Estados Unidos e as primeiras iniciativas no mercado internacional. O comprimido, lançado em janeiro no mercado norte-americano, faturou 5,39 bilhões de coroas no trimestre.
“O crescimento foi impulsionado por nosso portfólio de produtos para obesidade, com a adoção contínua do comprimido Wegovy nos Estados Unidos e lançamentos iniciais encorajadores internacionalmente”, afirmou o presidente-executivo Mike Doustdar.
Desempenho nos Estados Unidos e concorrência
O formato oral do medicamento já concentra cerca de 80% das prescrições destinadas a novos pacientes em território norte-americano. As vendas totais dos comprimidos atingiram 4,18 bilhões de coroas nos EUA e 1,22 bilhão em outros mercados internacionais durante o trimestre.
Apesar da forte liderança da rival Eli Lilly no segmento de injetáveis, analistas apontam o formato oral como o principal motor de recuperação da empresa europeia. “Não há como negar que a Eli Lilly claramente lidera o mercado de medicamentos injetáveis para obesidade, mas a Novo leva vantagem quando se trata de comprimidos”, comentou Lars Hytting, investidor da ArthaScope, acionista da Novo.
A companhia informou ainda que planeja reduzir os preços de tabela do Wegovy e do Ozempic nos Estados Unidos para 675 dólares mensais a partir de 1º de janeiro, enquanto avalia os impactos de novos desafios regulatórios e de mercado para os próximos anos.