O governo do Irã fez um alerta severo nesta quarta-feira (4) indicando que sua resposta militar poderá ir muito além das bases americanas na região. A advertência foi feita por um oficial militar de alto escalão em meio às crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Nova doutrina militar e alerta aos vizinhos
Caso nações do Golfo permitam que os Estados Unidos utilizem seus territórios para o lançamento de operações bélicas, Teerã ampliará o alcance de sua retaliação. A declaração foi feita por Hamidreza Moghadamfar, assessor do comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, durante um evento público realizado na cidade portuária de Bandar Abbas.
Segundo o oficial, o país empregará uma “nova doutrina e novas tecnologias” ao responder a qualquer ação dos EUA ou de Israel. Moghadamfar alertou especificamente que nações como os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein enfrentarão uma resposta mais abrangente caso sirvam de base para investidas militares contra o território iraniano.
Descrença nas eleições americanas
Em paralelo às ameaças militares, o comando político do país oriental também se manifestou sobre o cenário político norte-americano. O Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que qualquer pessoa que acredite que os resultados das Eleições de Meio de Mandato (as Midterms) mudarão a postura de Washington em relação a Teerã está “profundamente enganada”.
De acordo com a agência estatal IRNA, o dirigente enfatizou sua posição sobre a política externa americana:
“Qualquer um que ainda se apegue, ainda que minimamente, à esperança de que o sistema de dominação possa mudar seu comportamento ou passar por transformações partidárias e faccionais — ou que acredite que fazer concessões aos EUA possa afastar o país de sua hostilidade contra a nação iraniana — está profundamente enganado”.
Contexto político e impacto global
Esta foi uma das raras manifestações do Líder Supremo desde que ele assumiu o cargo no final de fevereiro. A ascensão ao posto ocorreu após ataques conjuntos realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte de seu pai e predecessor no início do ano.
O conflito envolvendo o Irã acabou se tornando o tema central dos debates durante a campanha para as Midterms norte-americanas. A escalada da violência regional gerou reflexos diretos na economia internacional, provocando uma forte alta nos preços dos combustíveis, incluindo a gasolina e o diesel, o que pesou sobre o orçamento de milhões de famílias tanto nos EUA quanto em várias outras nações.