JPMorgan aponta risco de calote no Banco do Brasil e alerta mercado

O JPMorgan emitiu um alerta preocupante a respeito do risco representado pelo aumento da inadimplência no Banco do Brasil registrada no terceiro trimestre de 2026. A instituição norte-americana destacou que a deterioração nos pagamentos pode pressionar os resultados da estatal nos próximos meses.

Agropecuária e atrasos nos pagamentos

Segundo o JPMorgan, houve piora nos atrasos de pagamentos ligados ao agronegócio em setembro deste ano, em movimento que pode elevar o patamar de inadimplência nos próximos meses. Além disso, o banco identificou problemas específicos no consignado privado e no cartão de crédito, mesmo com o indicador geral de calotes acima de 90 dias estabilizado em 5% no mesmo mês.

Desaceleração generalizada do crédito brasileiro

O aviso do gigante financeiro ocorre em meio a um ambiente de forte desaceleração do crédito no Brasil. De acordo com dados do Banco Central (BC), o estoque de crédito em setembro ficou em R$ 7,4 trilhões, um aumento anual de 8,6%. No mês anterior, a alta havia sido de 9,3%.

Comportamento de pessoas físicas e jurídicas

O avanço dos empréstimos para pessoas físicas também perdeu fôlego, registrando alta de 6,5% em setembro (ante 7,3% em agosto) na comparação anual. No segmento corporativo, a taxa de expansão passou de 10,7% para 9,9%.

Um dos dados mais expressivos foi a retração nas novas operações de crédito voltadas a pequenas e médias empresas, que somaram cerca de R$ 2 bilhões em setembro. Nos meses anteriores, esse volume costumava oscilar entre R$ 6 bilhões e R$ 12 bilhões.

Rebaixamento de ações e cenário para outros bancos

Diante desse panorama, no começo de outubro, o JPMorgan cortou a recomendação para o Banco do Brasil de neutra para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda). O downgrade reflete a queda nas expectativas de lucro ou valorização da companhia.

Em contrapartida, o JPMorgan apontou que o Itaú segue com a melhor avaliação entre os maiores bancos brasileiros, ostentando recomendação de compra. Para o Bradesco, a indicação adotada pela instituição financeira permaneceu neutra.

Deixe um comentário