Loja de luxo em São Paulo é denunciada ao MP por manequins negros de avental

Uma representação protocolada no Ministério Público de São Paulo (MPSP) colocou sob investigação uma vitrine da loja de vestidos de festa Arthur Caliman, localizada na avenida Santo Amaro, zona sul da capital paulista. A denúncia aponta suspeita de racismo devido à disposição de manequins negros usando aventais e simulando o atendimento a manequins brancos trajados para eventos festivos.

Denúncia e repercussão na promotoria

O documento foi apresentado no dia 3 e encaminhado diretamente à Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos, com atuação focada na Inclusão Social. Na montagem que gerou controvérsia, as figuras negras apareciam exclusivamente em papéis de serviço, sem representação como convidadas, enquanto os bonecos brancos ocupavam apenas a posição de destaque na celebração. Também não havia figuras brancas exercendo funções de atendimento.

Críticas de especialistas em direitos humanos

A composição visual gerou forte reação de organizações e especialistas dedicados ao combate à discriminação racial. O advogado Hédio Silva Jr., fundador da organização Jusracial, avaliou que a vitrine reproduzia uma associação entre pessoas negras e posições de subalternidade, reforçando estereótipos históricos ligados ao trabalho de servir pessoas brancas.

Na mesma linha, a diretora executiva do Observatório da Branquitude, Manuela Thamani, criticou severamente a exposição. A entidade confirmou que está monitorando o andamento da representação protocolada no órgão ministerial.

Posicionamento da marca investigada

Procurada pela imprensa, a Arthur Caliman afirmou que repudia o racismo e qualquer forma de discriminação, negando veementemente qualquer planejamento com mensagem racial na montagem. De acordo com a empresa, a seleção dos manequins segue critérios de proposta visual e o objetivo era gerar contraste entre as tonalidades das vestimentas e dos bonecos, alegando ainda que uma montagem anterior havia utilizado apenas manequins pretos com roupas claras.

Após os questionamentos, a marca informou que substituiu o elemento questionado e lamentou o desconforto gerado pela exposição pública. O Ministério Público paulista recebeu a representação, mas ainda não há informações sobre a conclusão da análise do caso ou eventual responsabilização da empresa.

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